O papel de mãe quando os filhos sofrem…

Que bom seria poder sentir a dor no lugar do filho, tocar o ferimento e ele sarar na hora, ter uma varinha mágica para fazê-lo parar de chorar quando está triste. Ter a capacidade de absorver a carga do mundo e deixá-lo sorrindo e aproveitando o que a vida traz de melhor.

Mas criamos os filhos para o mundo e como tal cabem aos pais deixá-los vivenciar cada experiência, boa ou ruim, da forma como ela se apresenta. Podemos sim, segurar as mãos, apoiar, dar colo, carinho, amor, proteção, sempre com muita conversa, muito olho no olho e muita dedicação.

Recentemente, uma das minhas filhas foi diagnosticada com uma doença grave. É muito duro para uma mãe ver sua filha de 7 anos tendo que enfrentar como gente grande algo que está lhe causando dor física e, consequentemente, dor emocional.

Por outro lado, é nessas horas que o vínculo se mostra ainda mais forte, que a sua fé naquela pessoa que tem um potencial enorme e uma vida pela frente, a faz enfrentar tudo de forma firme e resignada. Acorda a cada dia e faz o que tem que ser feito, o que o médico mandou sem questionar.

A irmã gêmea está até enciumada da atenção que as amigas da escola estão dando: “só porque ela está doente ninguém mais quer saber de mim!”.

Ser mãe é vivenciar o que há de mais belo e puro no ser humano. Como as crianças são sensíveis e inteligentes e nunca podem ser subestimadas. Entendem em muitos aspectos o mundo dos adultos. Lêem as situações, mesmo que fiquem caladas e que pareçam não prestar atenção. Um belo dia terão elaborado um pensamento com base em observações passadas e saberão tomar suas próprias decisões nas mais diversas situações.

Ser mãe é igualmente ver os filhos novos sofrerem, mas os mais velhos também. Quando crescem sofrem as dores de amor, as dores da rejeição e tantas outras dores que precisam aprender a lidar. Este aprendizado nunca termina. Até que a mãe tem momentos nos quais precisa ser filha e recorre também, quando tem, à sua própria mãe. Mamãe?

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Livro autografado por Trump: minha história com o presidente eleito

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O livro foi publicado em 1997, mas lembrando da história pensei que era mais antigo.

Por acaso passeando em Nova York e, sendo apaixonada desde sempre por livros, olhei curiosamente uma fila de autógrafos formada no lobby da Trump Tower. Decidi entrar. A fila não era grande. Àquela altura eu não conhecia a história por trás do nome, mas apenas a celebridade que precedia o nome. Meu ex-marido à época ainda tentou me alertar: “Vamos embora! Não acredito que você vai pegar autógrafo deste cara!”, mas lá fui eu. Comprei o livro, entrei na fila e esperei a minha vez. Ainda me lembro de ter trocado algumas palavras e ele ter feito alguma gracinha relacionada à mulher brasileira.

http://www.nytimes.com/books/first/t/trump-comeback.html

trump tower.jpg

A foto tirada naquele instante se perdeu, mas a lembrança da pessoa e do que hoje a mídia mostra diariamente em falas e atitudes em nada difere da postura daquele mesmo Trump de 20 anos atrás. Talvez seja esta a mesma sensação de muitos americanos que já cruzaram com o caminho dele. Tempos sombrios.

 

 

 

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Sobre as trilhas…e os vícios bons

Sinto falta da lama
De ficar suja com ela

De passar por ela

De desviar dela

De me molhar com ela

De fazer força nas subidas estenuantes

De quase desistir quando o fôlego e a força acabaram na base da subida

Dos preparativos com os amigos do pedal

De comemorar junto cada conquista

Do apoio mútuo nas quedas, nos momentos de espera pela reunião do grupo

Dos desafios vencidos e do desejo de vencer os que estão por vir

Será um vício? A adrenalina que falta? A sensação de cansaço recompensado depois de horas de esforço?

O contato com a natureza, os cheiros do mato, da trilha, o silêncio sem fim do pneu no chão batido quando não há ninguém por perto? Ou a alegria ao ver o grupo se juntar de novo depois de vencer mais um morro?

É tudo isto e muito mais. É viver a vida intensamente. 

  

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O poder de cura das gentilezas…se cair levante

Quando se chega próximo à dita idade da loba, seja ela qual for, as atitudes que tomamos podem ser consideradas ousadas por uns, maluquices por outros, aventuras para uns tantos, mas refletindo com seu eu interior, nada mais foi que a busca por algo novo e desafiador. Nada mais natural na vida, independente da fase.

Pois foi o que fiz há quase 2 meses. Adotei o mountain bike em trilhas de terra como um esporte em minha vida. Não sabia o quanto iria me transformar interna e externamente. Se queria algo novo e desafiador sem querer acertei o alvo. Se queria ser taxada de maluca e aventureira igualmente tirei 10. O MTB não é diferente de qualquer outro esporte e tem um mundo à parte de técnicas, competições, equipamentos, tribos e toda sorte de detalhes que exigem dedicação, muito suor e persistência. 

Os riscos são inerentes. Não sei por que, mas caí algumas vezes e sempre do mesmo lado, o lado esquerdo. Na última vez foi mais sério e relembrando as pessoas que me socorreram e acompanharam tenho muito a agradecer e reafirmar a fé no ser humano. Pessoas conhecidas e desconhecidas não mediram esforços para me ajudar. A gratidão é imensa e devo a estas pessoas e obrigação de me recuperar e voltar às trilhas para poder um dia retribuir as gentilezas que graciosamente recebi. A vida é bela e os tropeços fazem parte.

   
    
 

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Waze-off, as necessárias viagens a si mesmo quando se viaja…

Enquanto sofregamente lutava para dar mais braçadas naquele mar imenso e assustador lembrava do artigo lido no café da manhã:

http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,partiu-mas-por-que-mesmo,10000006591
E logo me veio o título deste texto e o sentimento a ele relacionado.

Waze-off em uma alusão a off-pist no ski quando se esquia fora dos limites, por lugares não-delimitados. Quando você está por sua conta e risco.

O artigo é uma entrevista a Mario Sergio Cortella em uma crítica ao uso dos aplicativos de GPS, como Waze e Google Maps, que tornaram as viagens as quais utilizávamos para ter tempo para observar e aproveitar o próprio percurso, em mais um objetivo a cumprir, mais algo a fazer, a preencher o tempo. Tempo este que precisa do vazio para o pensar, o pensar em si mesmo, o olhar cuidadoso para o entorno.

Por outro lado, quando se é forçado a desligar-se do mundo, quando o sinal de internet já não o alcança, o melhor a fazer é aproveitar estes momentos, seja dentro do mar, seja em uma trilha na montanha, na calmaria de uma rede na varanda, em uma roda de amigos, com o ser amado, com as crianças ou na companhia de um bom livro.

São nestes vazios necessários, no tal silêncio criativo, que pensamos em novos começos ou recomeços, metas novas, mudanças que há muito planejamos, internas e externas, pequenas e de grande vulto, e que têm nestes momentos de desligamento da poluição do mundo informacional das redes sociais, o momento propício para deixar a mente viajar e criar novos circuitos capazes de quebrar círculos viciosos de hábitos passados.

E basta o primeiro passo para grandes mudanças. Aí está a enorme beleza da vida. Atitudes simples que nos levam a descobrir habilidades escondidas, a conhecer novas pessoas, a fazer novos amigos, a fazer e perceber gentilezas.

Como em uma volta ao passado adolescente, jovem e despreocupado, enfrentamos medos que nem mesmo sabíamos existir. E superá-los traz uma infinita sensação de alegria interior. E este contato com o inevitável eu ajuda a enfrentar outros medos escondidos em outras esferas da vida.

O sentimento de fazer algo novo por você mesmo e em prol de um grupo pode influenciar fortemente pelo exemplo as pessoas à sua volta, igualmente propensas à mudança, mas que aguardavam algo que as incentivasse ou que dissesse: “Vai, não é tão difícil assim. Estou fazendo e você está vendo o bem que está me fazendo”.

No de sempre que vivemos não encontraremos a satisfação permanente da mudança. Em hábitos antigos rodamos em círculos. É preciso dar o primeiro passo e quebrar o ciclo vicioso.

O resto vem , como em uma corredeira, um rio de água limpa. É só deixar correr e fluir…basta absorver a energia, respeitar seus limites, os dos outros e os da natureza.
 

   

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Lembranças*

A primeira vez que o rostinho de vocês colou ao meu depois de tantos meses de espera…, lágrimas de emoção e de alegria…

A primeira vez que a irmã mais velha de vocês as viu, lágrimas de emoção e de alegria caíram do rosto dela, e ela as amou e vai amar para sempre…

E como cresceram. Correndo para o colo. Nossa brincadeira de “cuco” todo mundo, como um beijo e um abraço, tudo junto.

As viagens, os banhos de mar, o vento, o sol queimando a cara, os castelos de areia, desmanchados pela maré cheia…

O canto das cigarras nas manhãs de sol. As chuvas fortes de verão. Os trovões que assustam. “Mamãe: posso dormir no seu quarto? Hoje é férias? Você vai demorar?”.

Hora de dormir. Ler, contar histórias. Não briga com a sua irmã. Vocês serão amigas para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais aqui…

Estarei sempre no coração de vocês. E vocês…em cada pedaço de mim…

*texto da cena “lembranças” da peça “Você nunca me vê de onde eu vejo você”, dirigida por João Paulo Lorenzon.

Foto de Ivan Correa Filho 

 

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Sobre o medo…

Já tive medo de mudar de casa, de cidade, mas depois de mais de 20 mudanças acho graça.
Já tive medo de ter filho, medo se seria capaz de tê-los, de criá-los, mas depois de três filhas, sendo duas gêmeas e algumas gravidezes que não foram em frente, suporto qualquer dor física, enfrento o que vier pela frente.

Já tive medo de morrer, de deixar minhas filhas sem mãe, de ter uma doença incurável, de ir embora de repente, mas ninguém é eterno e criamos os filhos para o mundo.

Já tive medo de envelhecer sozinha e esse medo me fez fazer péssimas escolhas. Já vi casais se maltratando como já o fui. Já vi e sofri muita solidão a dois.

O medo que paralisa é o mesmo que nos empurra para frente. Quando resolvemos encará-lo, enfrentá-lo, ele parece fazer dissipar os receios.

Agora medo mesmo é o de lidar com o ser humano mentiroso, desonesto, corrupto, sem escrúpulos, traidor, desleal e toda a sorte de problemas de caráter muitas vezes camuflados em peles de cordeiro. Este medo é deveras impossível de se dissipar.

  

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