“Não contem com o fim do livro”: comentários ao artigo de Umberto Eco no caderno Sabático do Estadão

Depois de um longo e tenebroso verão volto a escrever no blog…perdoem-me pela ausência!

Em um bem-humorado e lúcido artigo de capa do novo caderno literário do Estadão Umberto Eco defende a perenidade do livro e não somente este fato, mas as consequências do uso indiscriminado das fontes eletrônicas. Ele diz com muita clareza algumas verdades inconvenientes, como o fato de os  jovens não terem mais memória histórica. Quantos de vocês não ouvem os mais experientes contando fatos históricos do passado em detalhes? O quão fascinante é ter vivo em sua memória o que aconteceu de mais importante ao seu país e ao mundo 20, 30, 40 anos antes. Hoje, é muito difícil ouvir histórias de um jovem. Na era da internet as informações são abundantes e descartáveis e, como muito bem fala Umberto em seu artigo, como saber quais fontes são realmente confiáveis. Por outro lado, as mídias eletrônicas chegam e ficam absoletas em muito pouco tempo. Quem se lembra do flop disk ou disquete? Agora estão proliferando os leitores eletrônicos atrelados aos sites que vendem conteúdo. Quantos anos será que irá durar um gadget destes em seu poder? Em questão de meses o modelo mais novo chega ao mercado e o seu tornou-se ultrapassado. O que fazer? Jogar fora? Vivemos a sociedade do consumo descartável e é nesse contexto que o livro, aquele conjunto de papel sobrevive para contar as histórias. Como na internet existem logicamente muitos livros de fontes questionáveis e conteúdo idem, mas quando queremos encontrar uma fonte realmente confiável nada melhor que o bom e velho livro, aquele produto que foi trabalhado, filtrado, acabado e feito para durar. Não há como viver sem um ou outro, sem o papel ou sem a internet, mas é possível chegarmos a um equilíbrio, ensinando os jovens a valorizar a história, a cultivar a leitura de livros e a evitar os excessos da internet.

Parabéns ao caderno Sabático pelo artigo de estréia!

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1 comentário

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Uma resposta para ““Não contem com o fim do livro”: comentários ao artigo de Umberto Eco no caderno Sabático do Estadão

  1. Ícaro

    Olá.

    Não lí o citado artigo no jornal, mas sua avaliação fez compreendê-lo de forma clara.

    O que entendo sobre “jovens sem memória” é que hoje em dia, as pessoas “entulham-se” de tarefas que antes não existiam, por exemplo:

    Verificar as últimas do perfil do orkut, facebook etc…

    Mandar sms´s, falar ao celular, trabalhar no pc etc…

    Devido a essa sobrecarga, as pessoas não mais observam as coisas da mesma forma. Automaticamente começam a selecionar mentalmente só aquilo que julgam útil/necessário descartam o resto. Nunca mais ví ninguém admirando um dia ou noite belos ou mesmo brincando com seus filhos como se brincava antes.

    Cresci nos anos 80, e mesmo tentando dar a mesma educação que meus pais me deram, quase não tenho tempo de ficar com meus filhos. Sei que, infelizmente, crescerão como as crianças de hoje, que já querem ser adultas antes da hora e não vivem a infância plena.

    Abs!

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