“A internet e o déficit de atenção”, comentários ao artigo de hoje de Mario Vargas Llosa ao Caderno2 do Estadão

O artigo sobre os pensamentos de Nicholas Carr, que escreveu um livro intitulado “The Shallows: what the internet is doing with our brains” leva-nos a refletir sobre os motivos e as consequências de trocar a leitura de um livro por um “google” no assunto. Os beneficios da internet são imensuráveis, como também os questionamentos acerca de seu uso ou uso em excesso. Como o bebedor “social”, que não sabe ao certo o limite entre o consumo “benéfico” de uma taça de vinho ao dia e algumas taças em dias esporádicos, até porque os conceitos e pesquisas variam de cultura para cultura, ninguém sabe ao certo quantificar o uso da internet “saudável”, aquele limitado e adequado à necessidade e que não “rouba” espaços de outros usos da nossa mente, como a leitura, o exercício, o convívio social etc. Difícil chegar a uma conclusão quando a cada nova geração o uso da internet parece ser maior e mais precoce. Raros são os adolescentes que lêem os clássicos, aqueles volumes enormes e de leitura ativa, ou seja, de quando em quando é preciso parar, refletir, pesquisar termos desconhecidos, anotar etc., a não ser os livros de leitura obrigatória para a escola. A leitura , mesmo existente, em sua imensa maioria, tanto em jovens quanto em gerações anteriores muitas vezes se curvam ao autor da “moda”, aquele tema de auto-ajuda ou ficção, do tipo fácil de ler e que prenda a sua atenção. Será esta uma das consequências da concorrência extensiva pelo uso da internet, incluindo aí as redes sociais, e-mails, navegação e os aplicativos de jogos ou utilidades as mais diversas? Hoje um dos usos em ascensão dos meios tecnológicos é a própria leitura de livros eletrônicos, talvez por isso muitos E-books estejam incorporando interatividade, filmes, fotos etc., de forma que o leitor pode simular uma “navegação” em seu browser predileto. Agora, uma das consequências que Carr explora em seu livro, segundo Vargas Llosa, seria a perda de atenção e da capacidade do usuário da internet de ler livros profundos, do início ao fim. Uma afirmação forte e que leva-nos a refletir. Pessoalmente, busco a leitura dos clássicos e atualmente de história. O exercício da leitura é muito prazeiroso, um lazer, uma viagem, um encontro com a paz de espírito, um oásis de tranquilidade quando dedicamos a ela uma parte do dia. Quisera eu ter a experiência de Carr de refugiar-se nas montanhas do Colorado, longe do telefone e da internet e perto da natureza e dos livros, que talvez eu chegasse a conclusões piores que a dele. Boa leitura de domingo!

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