Excesso de livros publicados ou falta de leitores

Em tempos de pós-feira de livros de Frankfurt muito foi dito sobre o excesso de livros sendo editados no Brasil e a dificuldade em escoar esta produção face ao número limitado de livrarias no Brasil. Se, por um lado, somos um país com poucas livrarias (por exemplo na favela de Paraisópolis não há nenhuma, mas há 130 lanhouses), somos também um país de poucos leitores. Mesmo os leitores ativos consomem menos da metade dos livros que os leitores dos países desenvolvidos consomem em um ano. Qual seria a solução para este mercado? Reduzir a produção, lançar mais livros eletrônicos, selecionar melhor os títulos a serem publicados, aumentar as livrarias? Se você pensou em uma das alternativas anteriores acertou parcialmente, mas qualquer destas alternativas atacam o problema de forma incompleta. Só alcançaremos um novo patamar de acesso aos livros no país se aumentarmos a base de leitores. Mais leitores, mais interessados nos livros. E precisamos de mais livrarias? Sim, mas há que se alcançar estes novos leitores também de forma criativa e inovadora. Podemos citar neste sentido algumas iniciativas interessantes: além das bibliotecas nos locais carentes (hoje li a noticias que na favela de Heliópolis uma biblioteca está sendo imaugurada com “cantação de histórias”), as vending machines de livros instaladas nos metrôs com livros de 1 a 5 reais, as vendas porta-a-porta de livros feitas em massa pela Avon, que sozinha vende milhões de livros por ano, como as bancas de jornais, representam uma esperança de aumento no numero de leitores no Brasil. Logicamente que investimento em educação e outras necessidades básicas precisam evoluir lado a lado de forma a permitir que todos tenham acesso à leitura, à cultura e, assim, poder sonhar com novas perspectivas em todos os aspectos. Portanto, as editoras continuarão o trabalho árduo de produzir cada vez mais e melhor até chegarmos ao ideal de primeiro mundo em que as editores somente imprimem sob encomenda e há mercado sufciente para demandar milhares de livros, impressos ou eletrônicos.

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Arquivado em consumo, Histórias, internet, leitura, livros, Notícias

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