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Autores em extinção? Há alternativas…

Nos anos de 1940 a 1960, a dita época dos baby boomers, quando pouco se preocupava de onde vinham os ovos, o alface ou o leite que consumíamos, a dieta da maioria das pessoas tinha muito açúcar, farinhas e refrigerante.

Philippines, green sea turtle (Chelonia mydas) swimming
Por: Westend61 – Gerald Nowak by @getty images

De alguns anos para cá e cada vez mais isto se fortalece, as pessoas querem saber a origem dos produtos que adquirem. Este feijão é transgênico ou orgânico? Este alface hidropônico, orgânico ou “normal”? E, para quem surfa na onde dos naturalistas, dos veganos ou, simplesmente, os mais preocupados com a alimentação e o que colocam na mesa dos seus entes queridos, muitas vezes preferem pagar mais por toda esta tecnologia embutida nos produtos, Os produtores por sua vez, estão cada vez mais preocupados em divulgar em seus rótulos as mais diversas certificações: vegano, sem gluten, sem lactose, orgânico, sem teste em animais etc.

Agora, mudando da água para o vinho, aliás este último igualmente já pode ser saboreado por veganos, quem procura vinhos orgânicos etc., por que será que, ao receber um arquivo PDF de um livro no Whattsup ou outra rede social qualquer, a pessoa não se preocupa em saber a sua origem?

É muito simples o consumidor saber: um PDF voando por aí sem um suporte de leitura, é pirataria. É como se a pessoa optasse por consumir sem rótulo, sem origem comprovada.

Um livro para ser chamado de digital precisa necessariamente de um suporte de leitura. Por exemplo, quando você adquire um E-book da Amazon, o arquivo cai em seu Whattsup? Não!!! Ele é baixado no Kindle. Inclusive os suportes de leitura funcionam como a sua biblioteca. Contém diversos recursos para guardar os seus livros, fazer anotações etc. Além da Amazon, a maioria das editoras têm seus próprios suportes de leitura ou plataformas.

Ao consumir um arquivo PDF que caiu para você de algum lugar ou de alguém você contribui para a extinção dos autores!!! Cada frase do livro que você ler e não remunerar o autor por isso, mesmo que sejam centésimos de centavos, o que muitas vezes é isso mesmo, o autor não consegue sobreviver e escrever mais livros.

As empresas e as instituições públicas e privadas têm se dedicado há vários anos a buscar um esforço global em torno da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. O desafio é ser economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo.

A sustentabilidade econômica só será realidade se o direito autoral for respeitado, pelas pessoas, pelas empresas e pela sociedade. Não é possível apropriar-se continuamente da criação de terceiros e acreditar que mesmo assim é possível construir algo novo. A inovação e a disrupção criativas só acontecem com o estímulo às criações por meio do direito autoral, possibilitando assim novos ciclos criativos.

O que seria da J. K. Rowling se todos tivessem pirateado o primeiro Harry Potter publicado? O direito autoral permitiu que ela trabalhasse na sequência. E ela foi além no ciclo criativo, rompendo diversas barreiras, o que permitiu não somente a sequência de livros, mas filmes e uma infinidade de produtos derivados.

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A sustentabilidade por meio de um ecossistema inovador de propriedade intelectual

A ampliação da responsabilidade global pela sustentabilidade tem obrigado as empresas, as instituições e as pessoas a incorporar em suas práticas diárias os preceitos do desenvolvimento sustentável.

E o que exatamente significa sustentabilidade na prática? De forma bastante simplificada daremos aqui um exemplo. Uma máquina utilizada em uma indústria fica obsoleta com o tempo. Por outro lado, as pessoas e os recursos naturais, a depender de como são desenvolvidos, podem ter seu valor aumentado com o tempo. A sustentabilidade hoje precisa estar naturalmente inserida no dia a dia de qualquer cadeia ou ecossistema produtivo.

 

Design team planning for a new project

Photo: Anchiy by GettyImages

Neste sentido, a inovação e a criatividade são pilares imprescindíveis para um desenvolvimento sustentável. E, como a governança corporativa pode permitir, de um lado, o respeito ao trabalho criativo das fontes consultadas quando seus comitês, diretoria e toda a matriz operacional das empresas as utilizam para pesquisas, trabalhos, relatórios ou criação de produtos e serviços e, de outro lado, garantir a criação de valor para o que é gerado pelas equipes internas?

A conscientização do valor econômico de longo prazo que a propriedade intelectual provoca em toda a cadeia produtiva, pressiona os boards a incluir a IP (intellectual property) no core do desenvolvimento sustentável.

Em um mundo dirigido pelas novas tecnologias, a IA (inteligência artificial) e o ML (machine learning) podem ser aliados para assegurar uma eficiente gestão da IP.

Portanto, educação e tecnologia são meios necessários e urgentes que a governança corporativa pode contar para atingir a sustentabilidade das inovações, ao mesmo tempo em que prega o respeito ao  trabalho criativo ao longo da cadeia de stakeholders.

Em tempo, no Brasil a propriedade intelectual é utilizada para proteger marcas e patentes de produtos e serviços, enquanto que o direito autoral, igualmente essencial na cadeia criativa de valor a longo prazo, é utilizado para os trabalhos literários e outras mídias. Ambos precisam ser considerados nas políticas de sustentabilidade.

Nos links a seguir há um material interessante da World Intelectual Property Organization (WIPO) sobre as metas de desenvolvimento sustentável elaboradas junto à ONU para 2030.

Un SDGs

https://www.wipo.int/sdgs/en/story.html

 

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fevereiro 9, 2020 · 6:09 pm

Por que mesmo segregar os ciclistas na USP?

Acordar antes das 4h da manhã uma ou duas vezes por semana para treinar exige muito mais do que motivação. Há que se ter um objetivo claro, uma meta a atingir, a curto e a médio prazos. Uma prova talvez e melhorar a sua performance podem ser alguns deles.

É necessário também amigos ao seu redor. Pessoas que estão na mesma “sintonia”. E, muito importante também, um professor, orientador, instrutor, alguém que não-somente oriente o treino, mas as boas práticas de segurança e etiqueta em cima de uma bike. Sim, porque há que se aprender a respeitar o colega ciclista, os pedestres e o trânsito. Tudo tem que funcionar em perfeita sintonia. Eu tenho certeza que estou em excelentes mãos. A Adriana Nascimento é a pessoa mais consciente no assunto segurança que você pode ter por perto quando está treinando.

Mas vamos às madrugadas. Algumas frias, bem frias, outras chuvosas, mas quando o treino vai acontecer é importante manter a consistência e comparecer.

O ciclismo, tanto como meio de transporte ou como esporte vem crescendo muito, o que é bastante positivo. Entretanto, as dores do crescimento parecem espremer os espaços paulistanos, que não são muitos para treinar durante a semana.

Mesmo sendo penoso acordar no meio da noite tudo tem o seu lado positivo. Saímos recompensados do treino, com o corpo suado, o sol nascendo, vendo um pouco de verde nesta selva maluca em que vivemos.

Opa, eu falei em ver algo, como apreciar a natureza. Acho que não são todos que tem esta chance, pois há os famigerados “pelotões”. São grandes colmeias de ciclistas em formação irregular, às vezes em 2, 3, 4 ou até 5 ciclistas um ao lado do outro, que passam voando em número expressivo, normalmente mais de 20. Quase sempre estão olhando para baixo, cada um tentando alcançar a roda da frente do outro freneticamente. O líder da frente normalmente grita, tanto para ordenar o próprio grupo, dar algum alerta ou para dizer aos ciclistas “normais” que estão do lado direito para que fiquem bem quietinhos, pois eles estão passando. “Esqueeeerda!!!” e lá vão eles.

Bom, é difícil explicar que não há como todos terem o mesmo ritmo ou o mesmo fôlego e vira e mexe acontece algum problema, alguma queda etc. Além de ser muito aflitivo para nós, ciclistas em treino normal, ver os ônibus ou os carros atrás deles tendo que esperar que eventualmente os vejam e decidam por deixarem os carros passarem, ou não.

Após um bom tempo de abusos dos tais pelotões veio um decreto geral, no qual todos os ciclistas foram colocados em um saco só. E, de repente, vieram mil e uma barreiras para a utilização da USP para treinar de madrugada. Fixaram-se dias, horários e, o pior, a identificação, tanto da bike, quanto do capacete. O formato não é nada inclusivo ou mesmo ecológico, diga-se de passagem.

Infelizmente, em vez de conscientizar e educar, decidiu-se segregar a todos. Todos os ciclistas são ruins. Todos merecem usar a “estrela” de identificação. Será que o próximo passo serão os guetos? Tomara que não. No exterior, há placas de sinalização para que todos convivam em harmonia, inclusive com os cavalos e as charretes. A rua é de todos.

 

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Waze-off, as necessárias viagens a si mesmo quando se viaja…

Enquanto sofregamente lutava para dar mais braçadas naquele mar imenso e assustador lembrava do artigo lido no café da manhã:

http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,partiu-mas-por-que-mesmo,10000006591
E logo me veio o título deste texto e o sentimento a ele relacionado.

Waze-off em uma alusão a off-pist no ski quando se esquia fora dos limites, por lugares não-delimitados. Quando você está por sua conta e risco.

O artigo é uma entrevista a Mario Sergio Cortella em uma crítica ao uso dos aplicativos de GPS, como Waze e Google Maps, que tornaram as viagens as quais utilizávamos para ter tempo para observar e aproveitar o próprio percurso, em mais um objetivo a cumprir, mais algo a fazer, a preencher o tempo. Tempo este que precisa do vazio para o pensar, o pensar em si mesmo, o olhar cuidadoso para o entorno.

Por outro lado, quando se é forçado a desligar-se do mundo, quando o sinal de internet já não o alcança, o melhor a fazer é aproveitar estes momentos, seja dentro do mar, seja em uma trilha na montanha, na calmaria de uma rede na varanda, em uma roda de amigos, com o ser amado, com as crianças ou na companhia de um bom livro.

São nestes vazios necessários, no tal silêncio criativo, que pensamos em novos começos ou recomeços, metas novas, mudanças que há muito planejamos, internas e externas, pequenas e de grande vulto, e que têm nestes momentos de desligamento da poluição do mundo informacional das redes sociais, o momento propício para deixar a mente viajar e criar novos circuitos capazes de quebrar círculos viciosos de hábitos passados.

E basta o primeiro passo para grandes mudanças. Aí está a enorme beleza da vida. Atitudes simples que nos levam a descobrir habilidades escondidas, a conhecer novas pessoas, a fazer novos amigos, a fazer e perceber gentilezas.

Como em uma volta ao passado adolescente, jovem e despreocupado, enfrentamos medos que nem mesmo sabíamos existir. E superá-los traz uma infinita sensação de alegria interior. E este contato com o inevitável eu ajuda a enfrentar outros medos escondidos em outras esferas da vida.

O sentimento de fazer algo novo por você mesmo e em prol de um grupo pode influenciar fortemente pelo exemplo as pessoas à sua volta, igualmente propensas à mudança, mas que aguardavam algo que as incentivasse ou que dissesse: “Vai, não é tão difícil assim. Estou fazendo e você está vendo o bem que está me fazendo”.

No de sempre que vivemos não encontraremos a satisfação permanente da mudança. Em hábitos antigos rodamos em círculos. É preciso dar o primeiro passo e quebrar o ciclo vicioso.

O resto vem , como em uma corredeira, um rio de água limpa. É só deixar correr e fluir…basta absorver a energia, respeitar seus limites, os dos outros e os da natureza.
 

   

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Recomeços

No início de qualquer grande mudança na vida, pessoal ou profissional, além de todas as dúvidas, medos e hesitações paralisantes por vezes, há a enorme necessidade de energia interna em direção a um novo horizonte. Exige-se uma força interna brutal, uma capacidade de moldar-se a uma nova realidade, novas cores, novos olhares, um novo mundo, novas portas que se abrem, velhas portas que se fecham. Mudar hábitos é como arrancar uma raiz profunda de uma árvore há muito plantada. Ela pode ser removida com cuidado para ser transplantada, mas no início pode sentir a mudança, alguns galhos podem cair, outros podem amarelar. A nova morada ou a nova realidade, entretanto, pode com o tempo mostrar-se fértil, pode permitir brotar novos frutos, galhos mais verdes, uma nova vida onde não mais os olhos viciados nos hábitos de outrora enxergavam luz ou novas chances, pois enquanto viver mudar é vital. Recomeços doem enquanto são começos, mas ao caminhar vê-se o quão necessário foi o primeiro passo. 

 

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Poder não pode, mas alguns negócios digitais se importam?

Ao ler a matéria do último domingo no Estadão “Fazendo pouco das normas”:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,fazendo-pouco-das-normas-imp-,1680271

lembrei-me da recente estada em Londres quando por insistência de uns locais instalei o aplicativo Uber e chamei o motorista pela primeira vez. Cheguei ao destino, mas não sem antes observar o desleixo e a sujeira no carro. Já a conta deu problema com o registro do cartão, o que atrapalhou a vez seguinte em que precisei. Foi quando chamei o serviço novamente, mas no mesmo minuto desisti, pois avistei um Taxi londrino. Pelas regras do Uber a corrida foi cobrada mesmo assim. Depois disto não chamei mais e não pretendo mais utilizar este serviço. Os taxistas londrinos inclusive alertam que eles não têm licença e não são seguros. Qualidade à parte é certo que há várias questões legais sendo questionadas nos diversos países em que atuam, inclusive no Brasil. Por aqui tivemos até protestos e manifestações.

A matéria menciona outras iniciativas digitais que atuam sem levar em conta as regras do “mundo real”. Há argumentos de ambos os lados, mas é certo que a concorrência pode ficar desleal se alguns seguem as regras e outros não.

Os exemplos não param por aí. Na área de compartilhamento de conteúdo há alguns anos surgiu, por exemplo, a plataforma “Scribd”, que na época do lançamento aceitava que o usuário fizesse upload de qualquer arquivo. Assim, muitos PDF’s piratas faziam parte do rol de opções. Assim, eles conseguiram “massa” de usuários, o grande apelo de “big data” para atrair os investidores. Ouvi em uma palestra com um dos fundadores que estavam procurando corrigir o problema. Procurei-o ao final para contar que um arquivo da plataforma deles estava sendo “vendido” como um curso em outra plataforma brasileira, sendo que o autor do referido texto em inglês estava alheio a tudo isso e obviamente sem receber direitos autorais.

Infelizmente, a grande maioria das pessoas, potenciais clientes de tais iniciativas, não têm a menor ideia das normas que existem e como podem diferenciar o joio do trigo. Com o tempo, o mercado se encarrega de regular e ajustar os desvios. Entretanto, muitas vezes o estrago é grande, tanto para os novos empreendedores quanto os estabelecidos e que seguem as regras. O que dirá dos usuários que entregam seus dados pessoais a um sem número de serviços “gratuitos” sem se dar conta de que esta base de dados é moeda de troca e vira ativo nas mãos de quem os detém, mas isto renderia assunto para um novo post.

Fica aqui um pequeno podcast sobre os desafios dos direitos autorais na nova era digital:

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A Força das gentilezas

As coincidências da vida às vezes nos fazem refletir. Daí vem a necessidade urgente de escrever sobre tais experiências e dividir com as pessoas à sua volta.

No último domingo impulsionada pelo insistente pedido das minhas gêmeas de 4 anos, levei-as no brinquedo inflável, daqueles que ficam em corredores dos templos de consumo chamados shopping centers.. As regras eram claras: 3 crianças por vez. As minhas tiraram os sapatinhos e aguardaram pacientemente, ou quase , pela sua vez. “Mamãe, por que temos que esperar?”. Por que são 3 crianças por vez em um tempo determinado de 5 min. Ufa, passou e chegou a tão esperada vez delas. Encontramos um amiguinho e lá foram os 3. Depois de menos de um minuto chega uma mãe com um garotinho e simplesmente o coloca no brinquedo ignorando a instrução da monitora de que seriam 3 crianças por vez. Olhei para a impassível monitora e aguardei o bom senso da mãe. Coincidiu com a escorregada das meninas. O menino dela ainda lutava para subir a escada. Em um instinto de ser primata ao defender sua cria a tal mãe barra minhas meninas com uma paulada de braço na barriga de uma e na barriga da outra. Estupefata as retirei do tal brinquedo e avisei que voltaria em uma hora mais apropriada. 

Em seguida assistimos ao filme “Cinderela”. A Ela que tornou-se Cinderela pela maldade das irmãs e da madrasta em nenhum momento deixou de ser gentil com elas. Em vários momentos do filme ela exerceu o poder da gentileza.

Após o filme conversei bastante com as meninas sobre o significado da gentileza e a relação desta atitude com a atitude da mãe que as agrediu no brinquedo.

Voltamos no tal brinquedo e elas se divertiram muito. Desta vez com final feliz!

  

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