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Por que mesmo segregar os ciclistas na USP?

Acordar antes das 4h da manhã uma ou duas vezes por semana para treinar exige muito mais do que motivação. Há que se ter um objetivo claro, uma meta a atingir, a curto e a médio prazos. Uma prova talvez e melhorar a sua performance podem ser alguns deles.

É necessário também amigos ao seu redor. Pessoas que estão na mesma “sintonia”. E, muito importante também, um professor, orientador, instrutor, alguém que não-somente oriente o treino, mas as boas práticas de segurança e etiqueta em cima de uma bike. Sim, porque há que se aprender a respeitar o colega ciclista, os pedestres e o trânsito. Tudo tem que funcionar em perfeita sintonia. Eu tenho certeza que estou em excelentes mãos. A Adriana Nascimento é a pessoa mais consciente no assunto segurança que você pode ter por perto quando está treinando.

Mas vamos às madrugadas. Algumas frias, bem frias, outras chuvosas, mas quando o treino vai acontecer é importante manter a consistência e comparecer.

O ciclismo, tanto como meio de transporte ou como esporte vem crescendo muito, o que é bastante positivo. Entretanto, as dores do crescimento parecem espremer os espaços paulistanos, que não são muitos para treinar durante a semana.

Mesmo sendo penoso acordar no meio da noite tudo tem o seu lado positivo. Saímos recompensados do treino, com o corpo suado, o sol nascendo, vendo um pouco de verde nesta selva maluca em que vivemos.

Opa, eu falei em ver algo, como apreciar a natureza. Acho que não são todos que tem esta chance, pois há os famigerados “pelotões”. São grandes colmeias de ciclistas em formação irregular, às vezes em 2, 3, 4 ou até 5 ciclistas um ao lado do outro, que passam voando em número expressivo, normalmente mais de 20. Quase sempre estão olhando para baixo, cada um tentando alcançar a roda da frente do outro freneticamente. O líder da frente normalmente grita, tanto para ordenar o próprio grupo, dar algum alerta ou para dizer aos ciclistas “normais” que estão do lado direito para que fiquem bem quietinhos, pois eles estão passando. “Esqueeeerda!!!” e lá vão eles.

Bom, é difícil explicar que não há como todos terem o mesmo ritmo ou o mesmo fôlego e vira e mexe acontece algum problema, alguma queda etc. Além de ser muito aflitivo para nós, ciclistas em treino normal, ver os ônibus ou os carros atrás deles tendo que esperar que eventualmente os vejam e decidam por deixarem os carros passarem, ou não.

Após um bom tempo de abusos dos tais pelotões veio um decreto geral, no qual todos os ciclistas foram colocados em um saco só. E, de repente, vieram mil e uma barreiras para a utilização da USP para treinar de madrugada. Fixaram-se dias, horários e, o pior, a identificação, tanto da bike, quanto do capacete. O formato não é nada inclusivo ou mesmo ecológico, diga-se de passagem.

Infelizmente, em vez de conscientizar e educar, decidiu-se segregar a todos. Todos os ciclistas são ruins. Todos merecem usar a “estrela” de identificação. Será que o próximo passo serão os guetos? Tomara que não. No exterior, há placas de sinalização para que todos convivam em harmonia, inclusive com os cavalos e as charretes. A rua é de todos.

 

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Sobre as trilhas…e os vícios bons

Sinto falta da lama
De ficar suja com ela

De passar por ela

De desviar dela

De me molhar com ela

De fazer força nas subidas estenuantes

De quase desistir quando o fôlego e a força acabaram na base da subida

Dos preparativos com os amigos do pedal

De comemorar junto cada conquista

Do apoio mútuo nas quedas, nos momentos de espera pela reunião do grupo

Dos desafios vencidos e do desejo de vencer os que estão por vir

Será um vício? A adrenalina que falta? A sensação de cansaço recompensado depois de horas de esforço?

O contato com a natureza, os cheiros do mato, da trilha, o silêncio sem fim do pneu no chão batido quando não há ninguém por perto? Ou a alegria ao ver o grupo se juntar de novo depois de vencer mais um morro?

É tudo isto e muito mais. É viver a vida intensamente. 

  

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O poder de cura das gentilezas…se cair levante

Quando se chega próximo à dita idade da loba, seja ela qual for, as atitudes que tomamos podem ser consideradas ousadas por uns, maluquices por outros, aventuras para uns tantos, mas refletindo com seu eu interior, nada mais foi que a busca por algo novo e desafiador. Nada mais natural na vida, independente da fase.

Pois foi o que fiz há quase 2 meses. Adotei o mountain bike em trilhas de terra como um esporte em minha vida. Não sabia o quanto iria me transformar interna e externamente. Se queria algo novo e desafiador sem querer acertei o alvo. Se queria ser taxada de maluca e aventureira igualmente tirei 10. O MTB não é diferente de qualquer outro esporte e tem um mundo à parte de técnicas, competições, equipamentos, tribos e toda sorte de detalhes que exigem dedicação, muito suor e persistência. 

Os riscos são inerentes. Não sei por que, mas caí algumas vezes e sempre do mesmo lado, o lado esquerdo. Na última vez foi mais sério e relembrando as pessoas que me socorreram e acompanharam tenho muito a agradecer e reafirmar a fé no ser humano. Pessoas conhecidas e desconhecidas não mediram esforços para me ajudar. A gratidão é imensa e devo a estas pessoas e obrigação de me recuperar e voltar às trilhas para poder um dia retribuir as gentilezas que graciosamente recebi. A vida é bela e os tropeços fazem parte.

   
    
 

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