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Mais perto, mesmo longe: a EAD como ponte da escola em casa

A tão necessária paciência esperada dos pais neste período de isolamento social tem sido muitas vezes esquecida ou pouco exercida. O excesso de informações, o medo da doença, a ansiedade sobre o desconhecido, a falta de poder planejar a viagem de férias ou um simples lazer, a crise econômica decorrente da pandemia, têm transmitido às nossas crianças uma pressão gigante.

Como conciliar o trabalho em casa, as tarefas que a escola manda para as crianças e os afazeres domésticos sem perder os cabelos? Que tal transformar, primeiramente, a harmonia do ambiente? Sentar para conversar com os moradores da casa, os grandes e os pequenos, em isolamento e combinar como tudo vai funcionar? Os horários das tarefas, de ajudar com os afazeres da casa, de fazer silêncio porque os adultos têm um “call” e assim por diante. É lógico que os momentos de stress acontecem, mas voltamos e acordamos tudo de novo.

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Foto: as gêmeas Gabriela e Juliana durante a aula de inglês extra curricular da escola em que estudam. O professor utiliza o Google Meets para interagir com os alunos. A partir da semana que vem a escola passará a adotar o Google Classroom.

A educação a distância (EAD) existe há décadas. No ensino universitário seu uso se expandiu exponencialmente nos últimos anos. Com a ampliação do acesso à universidade, a EAD surgiu como a forma mais eficiente e rápida de oferecer uma graduação sem a necessidade de construir mais prédios.

Junto com o crescimento da EAD, o aprimoramento das diversas práticas pedagógicas a distância igualmente evoluíram. Hoje é possível fazer simulações realísticas, interatividades em tempo real, fóruns de discussão, avaliações com feed back instantâneo, certificados com Blockchain e diversos outros recursos.
E, foi preciso uma quarentena forçada para que a EAD adentrasse todos os lares mundiais e passasse a ser utilizada por crianças, jovens e adultos.

Cada escola acabou adaptando-se de uma forma, pois, infelizmente, tudo aconteceu de modo repentina. Não houve tempo para planejar. A gestão e prevenção de riscos e catástrofes além de raramente fazer parte do dia a dia da gestão da escola, prever um evento como esta pandemia, seria quase impossível.

Com a carga de tarefas chegando para os pais nas primeiras semanas de isolamento e a maioria ainda adaptando-se à nova rotina, foi como uma receita para o caos. Vimos pais verdadeiramente revoltados com a carga de tarefas, outros com a falta de comunicação da escola.

No caso das minhas filhas, todas as tarefas começaram a chegar pelo Google Drive. Eu imprimia e elas faziam conforme o roteiro do dia a dia, mas eu sentia falta de uma conexão com os professores. Até que elas tiveram um encontro pelo Zoom com o professor de inglês extra curricular. Foi quando eu sugeri a ele e à escola que isto fosse expandido para as professoras das classes das meninas.

A escola adotou a ideia e na semana seguinte as crianças começaram a se encontrar com a professora da classe duas vezes por semana e também com a professora de inglês regular mais uma vez. A partir daí, as meninas começaram a me imitar e dizer: mamãe hoje eu tenho “call”. E, assim falamos em casa quando alguém vai ter uma chamada de video e precisamos de silêncio. Só que às vezes coincide de todos estarem em “call”.

É compreensível que muitos pais estejam estressados com a carga de trabalho dos filhos, pois a própria situação de cada um tem sido muito tensa, mas a quarentena não se resume somente a momentos em frente à “tela”. É preciso ter um equilíbrio e buscar tempo para fazer exercícios em casa, estimulando os pequenos. Fazendo-os desligar dos diversos gadgets. A frequência cardíaca precisa subir e para isto é preciso pular, dançar, brincar, se exercitar e criar momentos para diminuir a ansiedade.
É igualmente extremamente necessário e urgente aproveitar a quarentena para estimular a leitura. Pais, crianças, jovens, todos. Os danos que o tempo demasiado em frente à tela causa à retenção da memória e do aprendizado superficial é imensa. Por outro lado, é possível treinar nosso cérebro a voltar a fazer leituras concentradas, sem distrações. Procuro separar um tempo com as minhas filhas para a leitura de livros no fim do dia. Viajar pelo mundo da imaginação pelas lentes criativas, advindas da percepção do que os pequenos lêem, é infinitamente melhor do que assistir a um filme pronto.

“A primeira é que os estudantes se tornaram cada vez mais impacientes com o tempo exigido para compreender a estrutura de sentenças mais difíceis em textos mais densos e mais avessos ao esforço necessário para ir a fundo em sua análise.”(p. 111, o que acontecerá com o leitor que fomos em “O cérebro no mundo digital”, Marianne Wolf”).

A EAD é um meio. O objetivo, o fim, é permitir que a escola continue levando o ensino aos pequenos durante este período de isolamento. O cérebro humano é muito plástico e adaptável. As crianças rapidamente aceitam as novas rotinas e as incorporam se os pais estiverem tranquilos.

Ensina-se principalmente pelo exemplo. E o momento atual exige duas grandes habilidades: resignar-se (submeter-se sem revolta) e a resiliência (capacidade de de se adaptar às mudanças). E, para isto, há uma grande rede de solidariedade que rapidamente se formou ao redor do mundo para ajudar as pessoas de todas as formas possíveis e imagináveis.

 

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O papel de mãe quando os filhos sofrem…

Que bom seria poder sentir a dor no lugar do filho, tocar o ferimento e ele sarar na hora, ter uma varinha mágica para fazê-lo parar de chorar quando está triste. Ter a capacidade de absorver a carga do mundo e deixá-lo sorrindo e aproveitando o que a vida traz de melhor.

Mas criamos os filhos para o mundo e como tal cabem aos pais deixá-los vivenciar cada experiência, boa ou ruim, da forma como ela se apresenta. Podemos sim, segurar as mãos, apoiar, dar colo, carinho, amor, proteção, sempre com muita conversa, muito olho no olho e muita dedicação.

Recentemente, uma das minhas filhas foi diagnosticada com uma doença grave. É muito duro para uma mãe ver sua filha de 7 anos tendo que enfrentar como gente grande algo que está lhe causando dor física e, consequentemente, dor emocional.

Por outro lado, é nessas horas que o vínculo se mostra ainda mais forte, que a sua fé naquela pessoa que tem um potencial enorme e uma vida pela frente, a faz enfrentar tudo de forma firme e resignada. Acorda a cada dia e faz o que tem que ser feito, o que o médico mandou sem questionar.

A irmã gêmea está até enciumada da atenção que as amigas da escola estão dando: “só porque ela está doente ninguém mais quer saber de mim!”.

Ser mãe é vivenciar o que há de mais belo e puro no ser humano. Como as crianças são sensíveis e inteligentes e nunca podem ser subestimadas. Entendem em muitos aspectos o mundo dos adultos. Lêem as situações, mesmo que fiquem caladas e que pareçam não prestar atenção. Um belo dia terão elaborado um pensamento com base em observações passadas e saberão tomar suas próprias decisões nas mais diversas situações.

Ser mãe é igualmente ver os filhos novos sofrerem, mas os mais velhos também. Quando crescem sofrem as dores de amor, as dores da rejeição e tantas outras dores que precisam aprender a lidar. Este aprendizado nunca termina. Até que a mãe tem momentos nos quais precisa ser filha e recorre também, quando tem, à sua própria mãe. Mamãe?

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Sobre o medo…

Já tive medo de mudar de casa, de cidade, mas depois de mais de 20 mudanças acho graça.
Já tive medo de ter filho, medo se seria capaz de tê-los, de criá-los, mas depois de três filhas, sendo duas gêmeas e algumas gravidezes que não foram em frente, suporto qualquer dor física, enfrento o que vier pela frente.

Já tive medo de morrer, de deixar minhas filhas sem mãe, de ter uma doença incurável, de ir embora de repente, mas ninguém é eterno e criamos os filhos para o mundo.

Já tive medo de envelhecer sozinha e esse medo me fez fazer péssimas escolhas. Já vi casais se maltratando como já o fui. Já vi e sofri muita solidão a dois.

O medo que paralisa é o mesmo que nos empurra para frente. Quando resolvemos encará-lo, enfrentá-lo, ele parece fazer dissipar os receios.

Agora medo mesmo é o de lidar com o ser humano mentiroso, desonesto, corrupto, sem escrúpulos, traidor, desleal e toda a sorte de problemas de caráter muitas vezes camuflados em peles de cordeiro. Este medo é deveras impossível de se dissipar.

  

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Tic tac tic tac – o relógio da vida

A vida é feita de pedaços de tempo;
Hiatos de vazio, do nada sentir;

Espasmos de amor, alegrias que evaporam em segundos;

Realidade efêmera;

Espírito cambaleante que busca equilíbrio em um ser à semelhança de um jovem que um dia existiu, dentro de uma carcaça que murcha em velocidade maior que a mudança das estaçōes do tempo. 

A beleza vista nas pequenas coisas em microsegundos mágicos e a lucidez para guardar as sensaçōes bem fundo na memória;

Atrasar o relógio, resgatar lembranças adormecidas, reviver sensaçōes, pessoas do passado, até que ponto mudam o tic tac tic tac?

   
    
   

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A misoginia trocada em miúdos. Por que pais e mães devem se preocupar com esta palavra esquisita!

Não me atrevo aqui a definir ou a discorrer cientifcamente, historicamente ou psicologicamente sobre as origens da palavra misoginia. Entretanto, é fato constatar o enorme desconhecimento a respeito do assunto apesar de suas origens serem tão antigas quanto a origem do homem. 

Miso vem de odiar e gino de mulher. O misógino é o homem que odeia a mulher. Pode ser aquele homem que começa o relacionamento a tratando com flores e declarações de amor, mas que depois de um tempo começa a minar a auto-estima da mulher, a diminuí-la, maltratá-la, tanto na intimidade quanto na frente dos outros, verbalmente ou fisicamente. As mulheres com pouca autoconfiança se entregam aos poucos, acreditam que são aquilo que o misógino as acusa de ser, deixam de ser quem são, às vezes engordam, perdem a vaidade, deprimem, adoecem.

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Nenhuma mãe ou pai gostaria que sua filha tivesse que lidar com um misógino em sua vida, mas todas estão sujeitas, infelizmente, pois no início tudo são flores e as pessoas só se mostram aos poucos. Por isso é muito importante que as mães e pais tenham ciência deste tipo de personalidade e ensinem às suas filhas a força da autoconfiança, do amor próprio, da auto-estima, para que reconheçam rapidamente tais comportamentos e possam as ajudar a se desvencilhar de escolhas erradas.

Isto vale também para os pais de meninos. Ensine-os o valor de uma mulher, a importância de tratar bem o outro, a beleza da generosidade, a força do caráter, aliás nada mais belo e charmoso em um homem que a coragem do caráter e a honestidade aliados a uma boa dose de generosidade. O mundo já está cheio de misóginos e egoístas.

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A mãe e a culpa

Imagino que toda mãe deva ter sentimento de culpa vez por outra ao deixar seus filhos para trabalhar, ter um momento seu, nos momentos de lazer e também para se permitir namorar o pai destes mesmos filhos. Hoje para mim foi muito emblemático. Por uma hora ficaria longe da minha família para praticar um esporte aquático que gosto muito mas há alguns anos não me arriscava. Para minha surpresa o professor pegou o bote e começamos a nos afastar da praia. Pensei que ficaríamos à beira d’agua e as meninas poderiam participar. Enquanto a água batia na ponta da prancha não tive como não cometer o crime de ausência, pensando somente nelas e em meu marido conforme nos afastávamos da areia e eles iam ficando cada vez mais longe. Neste momento veio a vontade de escrever sobre mãe e culpa. Pensei, e agora? Já que estou aqui preciso me concentrar e aproveitar. Somente uma hora em um dia inteiro não é nada. No fim foi uma delícia e pude rememorar junto ao mar e à natureza o prazer de subir em uma prancha de wind surf um pouco. Quando voltei brinquei com as meninas no mar e tudo voltou ao normal. Acredito também que devemos encontrar um equilíbrio entre o domínio do sentimento de culpa e saber identificar quando não passa de se fazer imprescindível o tempo todo. Para quem quer saber mais um pouco sobre o que é o crime de ausência indico ler o “código penal celeste” de Nilton Bonder, o mesmo autor de “a alma imoral”.

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