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Waze-off, as necessárias viagens a si mesmo quando se viaja…

Enquanto sofregamente lutava para dar mais braçadas naquele mar imenso e assustador lembrava do artigo lido no café da manhã:

http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,partiu-mas-por-que-mesmo,10000006591
E logo me veio o título deste texto e o sentimento a ele relacionado.

Waze-off em uma alusão a off-pist no ski quando se esquia fora dos limites, por lugares não-delimitados. Quando você está por sua conta e risco.

O artigo é uma entrevista a Mario Sergio Cortella em uma crítica ao uso dos aplicativos de GPS, como Waze e Google Maps, que tornaram as viagens as quais utilizávamos para ter tempo para observar e aproveitar o próprio percurso, em mais um objetivo a cumprir, mais algo a fazer, a preencher o tempo. Tempo este que precisa do vazio para o pensar, o pensar em si mesmo, o olhar cuidadoso para o entorno.

Por outro lado, quando se é forçado a desligar-se do mundo, quando o sinal de internet já não o alcança, o melhor a fazer é aproveitar estes momentos, seja dentro do mar, seja em uma trilha na montanha, na calmaria de uma rede na varanda, em uma roda de amigos, com o ser amado, com as crianças ou na companhia de um bom livro.

São nestes vazios necessários, no tal silêncio criativo, que pensamos em novos começos ou recomeços, metas novas, mudanças que há muito planejamos, internas e externas, pequenas e de grande vulto, e que têm nestes momentos de desligamento da poluição do mundo informacional das redes sociais, o momento propício para deixar a mente viajar e criar novos circuitos capazes de quebrar círculos viciosos de hábitos passados.

E basta o primeiro passo para grandes mudanças. Aí está a enorme beleza da vida. Atitudes simples que nos levam a descobrir habilidades escondidas, a conhecer novas pessoas, a fazer novos amigos, a fazer e perceber gentilezas.

Como em uma volta ao passado adolescente, jovem e despreocupado, enfrentamos medos que nem mesmo sabíamos existir. E superá-los traz uma infinita sensação de alegria interior. E este contato com o inevitável eu ajuda a enfrentar outros medos escondidos em outras esferas da vida.

O sentimento de fazer algo novo por você mesmo e em prol de um grupo pode influenciar fortemente pelo exemplo as pessoas à sua volta, igualmente propensas à mudança, mas que aguardavam algo que as incentivasse ou que dissesse: “Vai, não é tão difícil assim. Estou fazendo e você está vendo o bem que está me fazendo”.

No de sempre que vivemos não encontraremos a satisfação permanente da mudança. Em hábitos antigos rodamos em círculos. É preciso dar o primeiro passo e quebrar o ciclo vicioso.

O resto vem , como em uma corredeira, um rio de água limpa. É só deixar correr e fluir…basta absorver a energia, respeitar seus limites, os dos outros e os da natureza.
 

   

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Sobre o medo…

Já tive medo de mudar de casa, de cidade, mas depois de mais de 20 mudanças acho graça.
Já tive medo de ter filho, medo se seria capaz de tê-los, de criá-los, mas depois de três filhas, sendo duas gêmeas e algumas gravidezes que não foram em frente, suporto qualquer dor física, enfrento o que vier pela frente.

Já tive medo de morrer, de deixar minhas filhas sem mãe, de ter uma doença incurável, de ir embora de repente, mas ninguém é eterno e criamos os filhos para o mundo.

Já tive medo de envelhecer sozinha e esse medo me fez fazer péssimas escolhas. Já vi casais se maltratando como já o fui. Já vi e sofri muita solidão a dois.

O medo que paralisa é o mesmo que nos empurra para frente. Quando resolvemos encará-lo, enfrentá-lo, ele parece fazer dissipar os receios.

Agora medo mesmo é o de lidar com o ser humano mentiroso, desonesto, corrupto, sem escrúpulos, traidor, desleal e toda a sorte de problemas de caráter muitas vezes camuflados em peles de cordeiro. Este medo é deveras impossível de se dissipar.

  

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Instantes de uma estante…amor, ficção, horror…

Existem vários sonhos dentro de um só? 

Um jovem rapaz se declarando, em meio à multidão, em uma cerimônia que mais parecia um noivado ou casamento. Enquanto ele se desmanchava em elogios à amada, que se encontrava à sua frente, ele moreno de cabelos pretos, alto, vestido em roupas que lembravam os trajes da Idade Média, como um verdadeiro Cavaleiro, eis que algo como uma segunda camada de pele mais grossa, enrugada, subia desde o seu pescoço e ia aos poucos distorcendo e embasbacando a sua fala, como se o quisesse sufocar. Cheio de horror ele debatia-se e tentava arrancar aquela cobertura grossa, nojenta, mas ela subia constantemente até cobrir seu rosto e corpo. Enquanto isto, sua amada ia tornando-se invisível. Ela levantou-se assustada da cama , ainda sonhando, um sonho dentro do outro, o chão era de tacos, ajoelhou-se e começou a rabiscar, talvez com giz esta história, na ânsia de não perder nenhum detalhe. Em outro momento, ainda dentro do sonho, ela parecia a si mesma bem mais velha. As marcas daquele antigo amor estavam nos porta-retratos das estantes. Momentos felizes juntos, clicados e impressos. Provas irrefutáveis de que tinha sido real. Em meio a outras mulheres que pareciam incentivá-la a recordar e diziam que ainda havia a possibilidade de retomarem aquele amor, que o homem estava curado. Mas agora que estava velha, de que adiantava?

   

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novembro 1, 2015 · 8:35 pm

Tic tac tic tac – o relógio da vida

A vida é feita de pedaços de tempo;
Hiatos de vazio, do nada sentir;

Espasmos de amor, alegrias que evaporam em segundos;

Realidade efêmera;

Espírito cambaleante que busca equilíbrio em um ser à semelhança de um jovem que um dia existiu, dentro de uma carcaça que murcha em velocidade maior que a mudança das estaçōes do tempo. 

A beleza vista nas pequenas coisas em microsegundos mágicos e a lucidez para guardar as sensaçōes bem fundo na memória;

Atrasar o relógio, resgatar lembranças adormecidas, reviver sensaçōes, pessoas do passado, até que ponto mudam o tic tac tic tac?

   
    
   

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Recomeços

No início de qualquer grande mudança na vida, pessoal ou profissional, além de todas as dúvidas, medos e hesitações paralisantes por vezes, há a enorme necessidade de energia interna em direção a um novo horizonte. Exige-se uma força interna brutal, uma capacidade de moldar-se a uma nova realidade, novas cores, novos olhares, um novo mundo, novas portas que se abrem, velhas portas que se fecham. Mudar hábitos é como arrancar uma raiz profunda de uma árvore há muito plantada. Ela pode ser removida com cuidado para ser transplantada, mas no início pode sentir a mudança, alguns galhos podem cair, outros podem amarelar. A nova morada ou a nova realidade, entretanto, pode com o tempo mostrar-se fértil, pode permitir brotar novos frutos, galhos mais verdes, uma nova vida onde não mais os olhos viciados nos hábitos de outrora enxergavam luz ou novas chances, pois enquanto viver mudar é vital. Recomeços doem enquanto são começos, mas ao caminhar vê-se o quão necessário foi o primeiro passo. 

 

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Estado civil: complicada…crônica de uma tentativa de diálogo

Era mais uma daquelas manhãs de trânsito na chegada a Congonhas em São Paulo. O voo partiria em uma hora. Haveria tempo para um café expresso? Dependeria da fila do raio-x, mas que raios, vim com aquele salto alto que apita! Teria que calçar a tal sapatilha branca, ficar com os pés nus diante de estranhos apressados com olhar fulminantes. Dez minutos para iniciar o embarque. Tomei tranquilamente o meu café, água, chequei os e-mails, baixei os textos que leria no vôo. Havia calculado exatamente o tempo do vôo para finalizar a apresentação para a reunião a ser realizada no destino, Brasília.
Sentada no corredor, olhei ao redor, vôo lotado, cheio de engravatados. Abri o tablet e, enquanto a porta não fechava despachei mais alguns e-mails, respondi a algumas mensagens, respirei fundo e foi o tempo do avião começar a sair do lugar. Não havia percebido, mas senti alguém com o olhar fixo, daqueles que chegam a incomodar. “Você digita rápido”, o cara ao meu lado falou de sopetão meio acanhado. “Pois é, sou da época da máquina de datilografia” (talvez isto o afaste de vez, pois vai pensar que já devo ser avó ou uma jurássica). Fecho os olhos para a decolagem. Lembro dele, do último final de semana, dos beijos. “Você faz muito esta rota?”.”Nossa, que susto. Eu estava cochilando, quase dormindo. De vez em quando. E você?”. “Raramente, raramente converso com alguém tão bonita”. “Olha, me desculpa, nós não nos conhecemos. Eu realmente não estou a fim de conversa. Preciso terminar um trabalho durante este vôo. Você parece ser um cara legal, mas eu não estou em uma fase boa para novos amigos.”O silêncio que se seguiu afora o constante e ensurrecedor ronco das turbinas e os passos dos tripulantes, além de uma tosse aqui e acolá trouxe de volta a calma que eu havia planejado. Fixei o olhar na tela e comecei a ler os textos que precisava, mas ao mesmo tempo pensava em como os imprevistos podem ser frustrantes, estressantes e exigirem de nós uma flexibilidade de camaleão e mudanças repentinas não são definitivamente o meu forte. “Desculpa, mas eu preciso fazer somente uma última pergunta e prometo não mais lhe importunar. Pode ser?”. Não sei se lhe dou este direito, mas pergunte e verei se posso lhe responder. “Qual o seu estado civil?”. “Ah, é isso? Meu estado civil? Mesmo? É complicada…”

  

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A misoginia trocada em miúdos. Por que pais e mães devem se preocupar com esta palavra esquisita!

Não me atrevo aqui a definir ou a discorrer cientifcamente, historicamente ou psicologicamente sobre as origens da palavra misoginia. Entretanto, é fato constatar o enorme desconhecimento a respeito do assunto apesar de suas origens serem tão antigas quanto a origem do homem. 

Miso vem de odiar e gino de mulher. O misógino é o homem que odeia a mulher. Pode ser aquele homem que começa o relacionamento a tratando com flores e declarações de amor, mas que depois de um tempo começa a minar a auto-estima da mulher, a diminuí-la, maltratá-la, tanto na intimidade quanto na frente dos outros, verbalmente ou fisicamente. As mulheres com pouca autoconfiança se entregam aos poucos, acreditam que são aquilo que o misógino as acusa de ser, deixam de ser quem são, às vezes engordam, perdem a vaidade, deprimem, adoecem.

dina mujer biblia ateismo misoginia_thumb[1]

Nenhuma mãe ou pai gostaria que sua filha tivesse que lidar com um misógino em sua vida, mas todas estão sujeitas, infelizmente, pois no início tudo são flores e as pessoas só se mostram aos poucos. Por isso é muito importante que as mães e pais tenham ciência deste tipo de personalidade e ensinem às suas filhas a força da autoconfiança, do amor próprio, da auto-estima, para que reconheçam rapidamente tais comportamentos e possam as ajudar a se desvencilhar de escolhas erradas.

Isto vale também para os pais de meninos. Ensine-os o valor de uma mulher, a importância de tratar bem o outro, a beleza da generosidade, a força do caráter, aliás nada mais belo e charmoso em um homem que a coragem do caráter e a honestidade aliados a uma boa dose de generosidade. O mundo já está cheio de misóginos e egoístas.

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