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Livro autografado por Trump: minha história com o presidente eleito

trump-cover

O livro foi publicado em 1997, mas lembrando da história pensei que era mais antigo.

Por acaso passeando em Nova York e, sendo apaixonada desde sempre por livros, olhei curiosamente uma fila de autógrafos formada no lobby da Trump Tower. Decidi entrar. A fila não era grande. Àquela altura eu não conhecia a história por trás do nome, mas apenas a celebridade que precedia o nome. Meu ex-marido à época ainda tentou me alertar: “Vamos embora! Não acredito que você vai pegar autógrafo deste cara!”, mas lá fui eu. Comprei o livro, entrei na fila e esperei a minha vez. Ainda me lembro de ter trocado algumas palavras e ele ter feito alguma gracinha relacionada à mulher brasileira.

http://www.nytimes.com/books/first/t/trump-comeback.html

trump tower.jpg

A foto tirada naquele instante se perdeu, mas a lembrança da pessoa e do que hoje a mídia mostra diariamente em falas e atitudes em nada difere da postura daquele mesmo Trump de 20 anos atrás. Talvez seja esta a mesma sensação de muitos americanos que já cruzaram com o caminho dele. Tempos sombrios.

 

 

 

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Lembranças*

A primeira vez que o rostinho de vocês colou ao meu depois de tantos meses de espera…, lágrimas de emoção e de alegria…

A primeira vez que a irmã mais velha de vocês as viu, lágrimas de emoção e de alegria caíram do rosto dela, e ela as amou e vai amar para sempre…

E como cresceram. Correndo para o colo. Nossa brincadeira de “cuco” todo mundo, como um beijo e um abraço, tudo junto.

As viagens, os banhos de mar, o vento, o sol queimando a cara, os castelos de areia, desmanchados pela maré cheia…

O canto das cigarras nas manhãs de sol. As chuvas fortes de verão. Os trovões que assustam. “Mamãe: posso dormir no seu quarto? Hoje é férias? Você vai demorar?”.

Hora de dormir. Ler, contar histórias. Não briga com a sua irmã. Vocês serão amigas para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais aqui…

Estarei sempre no coração de vocês. E vocês…em cada pedaço de mim…

*texto da cena “lembranças” da peça “Você nunca me vê de onde eu vejo você”, dirigida por João Paulo Lorenzon.

Foto de Ivan Correa Filho 

 

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Sobre o medo…

Já tive medo de mudar de casa, de cidade, mas depois de mais de 20 mudanças acho graça.
Já tive medo de ter filho, medo se seria capaz de tê-los, de criá-los, mas depois de três filhas, sendo duas gêmeas e algumas gravidezes que não foram em frente, suporto qualquer dor física, enfrento o que vier pela frente.

Já tive medo de morrer, de deixar minhas filhas sem mãe, de ter uma doença incurável, de ir embora de repente, mas ninguém é eterno e criamos os filhos para o mundo.

Já tive medo de envelhecer sozinha e esse medo me fez fazer péssimas escolhas. Já vi casais se maltratando como já o fui. Já vi e sofri muita solidão a dois.

O medo que paralisa é o mesmo que nos empurra para frente. Quando resolvemos encará-lo, enfrentá-lo, ele parece fazer dissipar os receios.

Agora medo mesmo é o de lidar com o ser humano mentiroso, desonesto, corrupto, sem escrúpulos, traidor, desleal e toda a sorte de problemas de caráter muitas vezes camuflados em peles de cordeiro. Este medo é deveras impossível de se dissipar.

  

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“Casseta de cobro” – uma aventura inesperada no México

“Pasele” disse o guarda com um fuzil empunhado em mais uma das diversas barreiras da Polícia Federal que enfrentamos na “carretera” entre Querétaro e Guadalajara, em um enredo que remetia à série Narcos sobre Pablo Escobar, a qual acabara de assistir recentemente. 

Ao embarcar em São Paulo com destino à Feira do Livro de Guadalajara nunca poderia imaginar a aventura que seria chegar ao destino final no dia seguinte. Talvez a turbulência durante o voo pudesse ser o prenúncio de que alguma surpresa viria. No voo estava o meu companheiro da aventura do dia seguinte, o presidente da entidade que eu representaria na feira.

Sem teto para pousar na Cidade do México o avião pousou em Querétaro, uma cidadezinha sem estrutura. Algumas horas a mais de espera dentro do avião foram suficientes para especular com os cidadãos mexicanos sobre o melhor meio para chegar a Guadalajara. Voltar de ônibus com todos os passageiros para a Cidade do México e ainda ter que aguardar a conexão, nem pensar. Muito incerto e demorado. Foi quando cogitamos olhar no mapa a distância para Guadalajara e como seria ir direto para lá.

Alugar o carro foi fácil. O vendedor elogiou as estradas e não emitiu nenhum alerta por óbvias razões. O carro real também era bem pior que o da fotografia que ele havia mostrado. 

Para chegar ao destino dependeríamos do waze, que por sua vez depende dos gadgets para funcionar,  que ainda precisam de eletricidade. Falei aos meus 2 companheiros de viagem (ah o terceiro passageiro era um autor e editor que resgatamos no aeroporto quando este estava reclamando com um agente da companhia aérea sobre a solução que estavam oferecendo): deixem comigo, tenho bateria no Ipad, Iphone e no Macbook. “Você parece o Ciborg envolta com toda esta tecnologia”, fui advertida. Sem a possibilidade de usar o carregador do carro aos poucos as baterias foram acabando. Afinal, das 4h previstas para a viagem, passamos a quase 8h de viagem.

Ninguém falou sobre o trânsito em quase todo o percurso, os inúmeros trechos em obras, as diversas barreiras da polícia federal, além da dificuldade em encontrar um simples local para um lanche ou para abastecer.

Por outro lado, foi uma experiência incrível. Conhecer pela primeira vez um país desta forma, adentrando-o abruptamente em seu interior, conhecer termos e costumes locais, além de paisagens típicas, fazem valer o inesperado.

As placas ao longo da autopista ou carretera repetiam “Casseta de cobro” e logo em seguida aparecia um pedágio. Após umas boas risadas deduzimos do que se tratava. E assim foi com alguns outros termos em espanhol.

As conversas, durante a viagem, giraram em torno, logicamente, de livros, editoras e da vida em geral. E isto também tem um valor incrível que o dia a dia corrido muitas vezes não permite. Não deixa de ser uma viagem ao nosso mundo interior.

São e salvos, mesmo que exaustos, ao final restou em mim uma vontade enorme de contar para o meu amor esta história e dizer a ele: “pasele” e corra que a vida passa em um instante. Vamos logo viver o que sonhamos juntos.

  

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Instantes de uma estante…amor, ficção, horror…

Existem vários sonhos dentro de um só? 

Um jovem rapaz se declarando, em meio à multidão, em uma cerimônia que mais parecia um noivado ou casamento. Enquanto ele se desmanchava em elogios à amada, que se encontrava à sua frente, ele moreno de cabelos pretos, alto, vestido em roupas que lembravam os trajes da Idade Média, como um verdadeiro Cavaleiro, eis que algo como uma segunda camada de pele mais grossa, enrugada, subia desde o seu pescoço e ia aos poucos distorcendo e embasbacando a sua fala, como se o quisesse sufocar. Cheio de horror ele debatia-se e tentava arrancar aquela cobertura grossa, nojenta, mas ela subia constantemente até cobrir seu rosto e corpo. Enquanto isto, sua amada ia tornando-se invisível. Ela levantou-se assustada da cama , ainda sonhando, um sonho dentro do outro, o chão era de tacos, ajoelhou-se e começou a rabiscar, talvez com giz esta história, na ânsia de não perder nenhum detalhe. Em outro momento, ainda dentro do sonho, ela parecia a si mesma bem mais velha. As marcas daquele antigo amor estavam nos porta-retratos das estantes. Momentos felizes juntos, clicados e impressos. Provas irrefutáveis de que tinha sido real. Em meio a outras mulheres que pareciam incentivá-la a recordar e diziam que ainda havia a possibilidade de retomarem aquele amor, que o homem estava curado. Mas agora que estava velha, de que adiantava?

   

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novembro 1, 2015 · 8:35 pm

Tic tac tic tac – o relógio da vida

A vida é feita de pedaços de tempo;
Hiatos de vazio, do nada sentir;

Espasmos de amor, alegrias que evaporam em segundos;

Realidade efêmera;

Espírito cambaleante que busca equilíbrio em um ser à semelhança de um jovem que um dia existiu, dentro de uma carcaça que murcha em velocidade maior que a mudança das estaçōes do tempo. 

A beleza vista nas pequenas coisas em microsegundos mágicos e a lucidez para guardar as sensaçōes bem fundo na memória;

Atrasar o relógio, resgatar lembranças adormecidas, reviver sensaçōes, pessoas do passado, até que ponto mudam o tic tac tic tac?

   
    
   

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Estado civil: complicada…crônica de uma tentativa de diálogo

Era mais uma daquelas manhãs de trânsito na chegada a Congonhas em São Paulo. O voo partiria em uma hora. Haveria tempo para um café expresso? Dependeria da fila do raio-x, mas que raios, vim com aquele salto alto que apita! Teria que calçar a tal sapatilha branca, ficar com os pés nus diante de estranhos apressados com olhar fulminantes. Dez minutos para iniciar o embarque. Tomei tranquilamente o meu café, água, chequei os e-mails, baixei os textos que leria no vôo. Havia calculado exatamente o tempo do vôo para finalizar a apresentação para a reunião a ser realizada no destino, Brasília.
Sentada no corredor, olhei ao redor, vôo lotado, cheio de engravatados. Abri o tablet e, enquanto a porta não fechava despachei mais alguns e-mails, respondi a algumas mensagens, respirei fundo e foi o tempo do avião começar a sair do lugar. Não havia percebido, mas senti alguém com o olhar fixo, daqueles que chegam a incomodar. “Você digita rápido”, o cara ao meu lado falou de sopetão meio acanhado. “Pois é, sou da época da máquina de datilografia” (talvez isto o afaste de vez, pois vai pensar que já devo ser avó ou uma jurássica). Fecho os olhos para a decolagem. Lembro dele, do último final de semana, dos beijos. “Você faz muito esta rota?”.”Nossa, que susto. Eu estava cochilando, quase dormindo. De vez em quando. E você?”. “Raramente, raramente converso com alguém tão bonita”. “Olha, me desculpa, nós não nos conhecemos. Eu realmente não estou a fim de conversa. Preciso terminar um trabalho durante este vôo. Você parece ser um cara legal, mas eu não estou em uma fase boa para novos amigos.”O silêncio que se seguiu afora o constante e ensurrecedor ronco das turbinas e os passos dos tripulantes, além de uma tosse aqui e acolá trouxe de volta a calma que eu havia planejado. Fixei o olhar na tela e comecei a ler os textos que precisava, mas ao mesmo tempo pensava em como os imprevistos podem ser frustrantes, estressantes e exigirem de nós uma flexibilidade de camaleão e mudanças repentinas não são definitivamente o meu forte. “Desculpa, mas eu preciso fazer somente uma última pergunta e prometo não mais lhe importunar. Pode ser?”. Não sei se lhe dou este direito, mas pergunte e verei se posso lhe responder. “Qual o seu estado civil?”. “Ah, é isso? Meu estado civil? Mesmo? É complicada…”

  

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