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A finitude da vida – Gabriel Garcia Marquez se vai

A notícia do falecimento de Gabo reaviva na memória a marca deixada por suas obras lidas em momentos de vida diferentes  para cada um e que, por isso, têm um particular efeito em seus leitores.

100 Anos de solidão foi para mim a mais marcante quando a li em minha adolescência. Como poderia uma só obra percorrer as agruras de uma família em 100 anos de existência. Descendentes vivendo conflitos semelhantes em diferentes épocas. Nunca mais esqueci.

O amor nos tempos do cólera, este mais recente, foi também uma bela obra. Como não se solidarizar com o personagem que amou uma única mulher por toda a sua vida. O filme, mesmo sendo alvo de críticas, conseguiu reproduzir muito bem o enredo do livro.

Vai continuar vivo em suas obras e por meio de sua história de vida.

Gabo

 

 

 

 

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A Opção pelo real: redes sociais de laços abstratos

Não há dúvidas sobre o avanço tecnológico permitido pelas redes sociais com aplicações em campos tão diversos como a educação, o empresarial e os movimentos sociais.
Entretanto, o potencial alienante, a super-exposição, a banalização do cotidiano, entre outras exacerbações, carecem de uma maior reflexão.
Será o tempo destinado aos posts, leitura e/ou escrita roubado de minutos preciosos de conversas olho no olho ou mesmo do necessário convívio com o vazio de si mesmo?
No meu caso fiz um teste e retirei tais redes dos dispositivos móveis e decidi não entrar por um tempo, o que já dura 2 semanas. O que faz lembrar a estratégia do Matt Cutts: se você quer algo o faça em 30 dias, seja emagrecer, escrever um livro etc. Há alguns vídeos dele nas palestras TED muito interessantes (link abaixo).
E quais os resultados so far: percebi que não fez falta alguma (com perdão aos posts interessantes dos meus amigos reais/virtuais), senti o meu cérebro “menos poluído”, o que para dar conta da leitura acumulada e da vontade de escrever é o ideal.
http://youtu.be/q_ccU9pBoDU

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Hanna Arendt e a “Crise na Educação” – reflexões muito atuais

Hanna Arendt foi uma filósofa em sua essência. Seus pensamentos percorreram áreas as mais diversas dentro do espectro complexo do ser humano em si e em suas relações com o mundo.

Em seu livro “Between past em future” apresenta um artigo sobre a crise na educação. A primeira edição do livro é de 1961. Incrível que não poderia ser mais atual. Nele ela discorre sobre como a educação das crianças no âmbito familiar refletem a realidade política do meio.

Sobre a crise de autoridade ela diz: “a autoridade foi descartada pelos adultos e isto só pode significar uma coisa: que os adultos se recusam a assumir responsabilidade pelo mundo para o qual trouxeram suas crianças.”

Mais adiante ela afirma que esta atitude dos adultos perante as crianças é como se a cada dia lavassem as mãos e dissessem aos pequenos: tente fazer o seu melhor, pois neste mundo nem mesmo nós sabemos o que fazer direito para lhes proporcionar um mundo mais seguro, mas somos inocentes em última instância.

Com mãe não posso ignorar estes pensamentos e refletir sobre o nosso papel de pais e como se responsabilizar sem ao mesmo tempo atuar como escudo à realidade do mundo. Proteger as crianças, mas deixá-las sofrer as consequências de escolhas responsáveis. O diálogo, o ouvir, o sentir, o carinho e a segurança que o afeto proporciona são a certeza de um ambiente de aprendizado mútuo. O exemplo dos pais e de todos com os quais as crianças convivem são atitudes cruciais que não garantem o futuro, mas fornecem referenciais para uma vida toda.

Uma criança não é um mini-adulto como bem compara Arendt. É um ser que chega a um mundo já pronto em que ele tem que descobrir como viver e sobreviver nele. O papel dos adultos é fundamental. Não pode ser relegado a terceiros.

Por outro lado, a atual sociedade do consumo que pressiona a mulher à maternidade e, ao mesmo tempo, à realização profissional e pessoal, pode ser muito angustiante para grande parte das mulheres que viveram sob a égide de uma família excessivamente protetora e que, em vez de ensinar, prefere evitar as agruras do enfrentamento das escolhas, do sofrimento consequente e da busca dos sonhos próprios e não os sonhos dos pais advindos das frustrações de uma vida de escolhas determinadas pela necessidade da realidade de outrora.

Recomendo a leitura das obras desta incrível filósofa e também o recente filme sobre ela. Para ver o filme vale ler antes o livro “Eichmann em Jerusalém”. Veja o trailer:

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O paradoxo das redes socias

Há uns dois anos li uma notícia de que 2014 seria o ano em que o Facebook perderia milhões de usuários. Quando lançaram ações na bolsa novamente o assunto foi comentado.
Vivemos uma época em que as diversas tribos e comunidades ativas na internet surfam conforme as ondas as levam. Migram de uma hora para outra em um comportamento errático e volúvel. Acontece que as tais redes sociais dependem dos usuários para serem viáveis economicamente junto aos anunciantes, sua maior fonte de receita e lucro.
A migração já começou pela tribo dos adolescentes, principalmente. Em artigo da última segunda-feira da Folha de SP “Tenho 13 anos e nenhum dos meus amigos usa Facebook”‘ um adolescente novaiorquino relata que ele e os amigos preferem o Instagram e que o Facebook é utilizado por seus pais e avôs. Minha filha de 17 anos confirmou que o Instagram já é o preferido entre ela e os amigos, ou seja, é um comportamento dos adolescentes em geral. Estes mesmos adolescentes estarão em poucos anos ativos profissionalmente.
Uma das justificativas do garoto é a invasão dos anunciantes nos feeds, o que coincide com a crítica da coluna da mesma Folha de SP de Marion Strecker “Cheia”. Sufocada pela invasão nas redes e as provocadas pelos robôs que perseguem até mesmo as pesquisas na internet, inundando em seguida seu e-mail e páginas com banners e promoções.
Em todas as áreas as mudanças têm ocorrido na velocidade da luz e os efeitos podem ser devastadores para empresas tidas como inovadoras e promissoras, mas esta é a regra do jogo atual e a adaptação é o principal verbo que as pessoas e as empresas devem praticar para sobreviver aos próximos tsunamis da realidade virtual.

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Quem tem medo do Lobo Mau!

Quem tem crianças na faixa dos 3 anos de idade talvez reconheça neste texto algo familiar.
Ninguém ensina aos pais como lidar com os monstros, aqueles que até são bonitinhos, mas assustam do Monstros SA, o lobo mau da Chapeuzinho vermelho, a raposa escondida da Dora, a bruxa dos contos de fadas, madrastas más e outros. São personagens que crianças desta idade entendem e incluem em seu universo.
O problema é que de noite quando elas têm que dormir no quarto de porta fechada e uma semi-luz ou luz apagada criam o cenário perfeito para que revivam as histórias, principalmente na pele das vítimas, ainda mais quando acordam no meio da noite em meio a um silêncio assustador. O caminho é o quarto dos pais. Porto seguro. Nenhum monstro entrará lá e assim dormem aquele sono tranquilo.
E os pais? Tem que respirar fundo pensando que é só uma fase que vai passar.
Longas conversas, argumentos sedutores e a tal da chantagem de nada adiantam. Broncas e ameaças são armas proibidas mas que no auge da exaustão não há como lançar mão. De nada adiantam. Só resta esperar a fase passar! Mas quanto tempo dura mesmo???

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O lápis de ponta e a máquina de escrever e como mudam as formas criativas

Na coluna do Ruy Castro há dois dias na Folha de SP:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/111590-o-lapis-de-ponta-perfeita.shtml

ele falou como ainda hoje se pode viver de apontar os lápis grafite. Várias profissões ainda o utilizam e consideram importante tê-los apontados. Contou a história de um profissional apontador americano. Deu como exemplo de quem os utiliza por aqui o Helio de Almeida, diretor de arte. Sorri ao ler, pois várias vezes estive com o Helio e vi aquelas mãos criativas desenhando linhas no papel com lápis muito bem apontados, dos mais variados calibres.

Em tempos de gadgets que prometem substituir a prancheta como não lembrar também dos textos que digitamos nestes aparelhos, PC, laptop, tablet, smartphone etc. Não faz muito tempo, mas foi no século passado, as máquinas de escrever tinham a utilidade de colocar tinta no papel, a partir das teclas, que não são muito diferentes dos atuais keyboards. No meu primeiro emprego antes da faculdade ainda tiver que passar por um teste de datilografia, já naquelas modernas máquinas onde era possível corrigir os erros e até mudar de cor. Talvez por isso ainda digite rápido e com mais de um dedo.

Para quem gosta de ver estas contradições em ação, passado, presente e futuro das letras recomendo o filme “The words” ou “As palavras” com Bradley Cooper, que passou no cinema ano passado. Veja o trailer:

Como ter certeza que um manuscrito antigo, datilografado, ainda não havia sido publicado em formato de livro? Ainda não havia e-mail, pen drive, computador pessoal, mas com certeza mimiógrafo e imprensa. Talvez o personagem tivesse dado um Google em trechos do livro e não tivesse encontrado nada. Aliás, como será que o que  fazemos hoje com o Google será visto pelas gerações futuras?

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USP São Carlos 24 anos depois. Trotes hostis de hoje são uma vergonha

http://youtu.be/9Pr8bKedmVc

Quem assiste a este video e foi aluno de São Carlos como eu reconhece facilmente que trata-se das instalações do CAASO, o centro acadêmico da USP, palco das festas, mas também das assembléias de greves. Difícil é reconhecer nos alunos, calouros e veteranos, alguma semelhança com os anos 80. Li hoje o artigo sobre o vandalismo dos veteranos e fiquei indignada:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/96502-usp-apura-hostilidade-a-feministas-em-trote.shtml

Quando entrei em 85 existia já o tal desfile no palco, mas limitava-se a uma breve entrevista ao microfone, nome, de onde era, se tinha ou não namorado. Até pediam para dar uma voltinha, mas muitas não se dobravam. Lógico que éramos minoria. Na minha turma de engenharia só tinha eu de mulher. Hoje mudou muito e a mulher tomou um espaço grande. Parte dos homens pode sentir-se ameaçado e somado à bebida, à imaturidade e ao incentivo dos colegas utiliza-se das únicas armas que o diferenciam da mulher. A falta de respeito com as colegas é evidente e hoje na posição de mãe de uma pré-vestibulanda, sinto muito pelo que minha fiha possa presenciar. Fruto do individualismo pós-moderno, o outro visto apenas como concorrente, é hostilizado e diminuído. Do contrário, tivessem a maturidade dos anos que virão poderiam reconhecer no outro potenciais amigos, aqueles para a vida toda, para reencontrar todos os anos, para rememorar as boas lembranças dos tempos que não tinham responsabilidades, somente o tempo a seu favor, um Campus maravilhoso como o de São Carlos, para conviverem durante 5 anos e tirarem de lá lições de vida, principalmente. Ter a vida pela frente e a gratidão pelas pessoas que o ajudaram a ter o privilégio de estudar em uma universidade pública, dentre as melhores do mundo. Lamentável!

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