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Sobre as trilhas…e os vícios bons

Sinto falta da lama
De ficar suja com ela

De passar por ela

De desviar dela

De me molhar com ela

De fazer força nas subidas estenuantes

De quase desistir quando o fôlego e a força acabaram na base da subida

Dos preparativos com os amigos do pedal

De comemorar junto cada conquista

Do apoio mútuo nas quedas, nos momentos de espera pela reunião do grupo

Dos desafios vencidos e do desejo de vencer os que estão por vir

Será um vício? A adrenalina que falta? A sensação de cansaço recompensado depois de horas de esforço?

O contato com a natureza, os cheiros do mato, da trilha, o silêncio sem fim do pneu no chão batido quando não há ninguém por perto? Ou a alegria ao ver o grupo se juntar de novo depois de vencer mais um morro?

É tudo isto e muito mais. É viver a vida intensamente. 

  

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O poder de cura das gentilezas…se cair levante

Quando se chega próximo à dita idade da loba, seja ela qual for, as atitudes que tomamos podem ser consideradas ousadas por uns, maluquices por outros, aventuras para uns tantos, mas refletindo com seu eu interior, nada mais foi que a busca por algo novo e desafiador. Nada mais natural na vida, independente da fase.

Pois foi o que fiz há quase 2 meses. Adotei o mountain bike em trilhas de terra como um esporte em minha vida. Não sabia o quanto iria me transformar interna e externamente. Se queria algo novo e desafiador sem querer acertei o alvo. Se queria ser taxada de maluca e aventureira igualmente tirei 10. O MTB não é diferente de qualquer outro esporte e tem um mundo à parte de técnicas, competições, equipamentos, tribos e toda sorte de detalhes que exigem dedicação, muito suor e persistência. 

Os riscos são inerentes. Não sei por que, mas caí algumas vezes e sempre do mesmo lado, o lado esquerdo. Na última vez foi mais sério e relembrando as pessoas que me socorreram e acompanharam tenho muito a agradecer e reafirmar a fé no ser humano. Pessoas conhecidas e desconhecidas não mediram esforços para me ajudar. A gratidão é imensa e devo a estas pessoas e obrigação de me recuperar e voltar às trilhas para poder um dia retribuir as gentilezas que graciosamente recebi. A vida é bela e os tropeços fazem parte.

   
    
 

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Waze-off, as necessárias viagens a si mesmo quando se viaja…

Enquanto sofregamente lutava para dar mais braçadas naquele mar imenso e assustador lembrava do artigo lido no café da manhã:

http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,partiu-mas-por-que-mesmo,10000006591
E logo me veio o título deste texto e o sentimento a ele relacionado.

Waze-off em uma alusão a off-pist no ski quando se esquia fora dos limites, por lugares não-delimitados. Quando você está por sua conta e risco.

O artigo é uma entrevista a Mario Sergio Cortella em uma crítica ao uso dos aplicativos de GPS, como Waze e Google Maps, que tornaram as viagens as quais utilizávamos para ter tempo para observar e aproveitar o próprio percurso, em mais um objetivo a cumprir, mais algo a fazer, a preencher o tempo. Tempo este que precisa do vazio para o pensar, o pensar em si mesmo, o olhar cuidadoso para o entorno.

Por outro lado, quando se é forçado a desligar-se do mundo, quando o sinal de internet já não o alcança, o melhor a fazer é aproveitar estes momentos, seja dentro do mar, seja em uma trilha na montanha, na calmaria de uma rede na varanda, em uma roda de amigos, com o ser amado, com as crianças ou na companhia de um bom livro.

São nestes vazios necessários, no tal silêncio criativo, que pensamos em novos começos ou recomeços, metas novas, mudanças que há muito planejamos, internas e externas, pequenas e de grande vulto, e que têm nestes momentos de desligamento da poluição do mundo informacional das redes sociais, o momento propício para deixar a mente viajar e criar novos circuitos capazes de quebrar círculos viciosos de hábitos passados.

E basta o primeiro passo para grandes mudanças. Aí está a enorme beleza da vida. Atitudes simples que nos levam a descobrir habilidades escondidas, a conhecer novas pessoas, a fazer novos amigos, a fazer e perceber gentilezas.

Como em uma volta ao passado adolescente, jovem e despreocupado, enfrentamos medos que nem mesmo sabíamos existir. E superá-los traz uma infinita sensação de alegria interior. E este contato com o inevitável eu ajuda a enfrentar outros medos escondidos em outras esferas da vida.

O sentimento de fazer algo novo por você mesmo e em prol de um grupo pode influenciar fortemente pelo exemplo as pessoas à sua volta, igualmente propensas à mudança, mas que aguardavam algo que as incentivasse ou que dissesse: “Vai, não é tão difícil assim. Estou fazendo e você está vendo o bem que está me fazendo”.

No de sempre que vivemos não encontraremos a satisfação permanente da mudança. Em hábitos antigos rodamos em círculos. É preciso dar o primeiro passo e quebrar o ciclo vicioso.

O resto vem , como em uma corredeira, um rio de água limpa. É só deixar correr e fluir…basta absorver a energia, respeitar seus limites, os dos outros e os da natureza.
 

   

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Lembranças*

A primeira vez que o rostinho de vocês colou ao meu depois de tantos meses de espera…, lágrimas de emoção e de alegria…

A primeira vez que a irmã mais velha de vocês as viu, lágrimas de emoção e de alegria caíram do rosto dela, e ela as amou e vai amar para sempre…

E como cresceram. Correndo para o colo. Nossa brincadeira de “cuco” todo mundo, como um beijo e um abraço, tudo junto.

As viagens, os banhos de mar, o vento, o sol queimando a cara, os castelos de areia, desmanchados pela maré cheia…

O canto das cigarras nas manhãs de sol. As chuvas fortes de verão. Os trovões que assustam. “Mamãe: posso dormir no seu quarto? Hoje é férias? Você vai demorar?”.

Hora de dormir. Ler, contar histórias. Não briga com a sua irmã. Vocês serão amigas para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais aqui…

Estarei sempre no coração de vocês. E vocês…em cada pedaço de mim…

*texto da cena “lembranças” da peça “Você nunca me vê de onde eu vejo você”, dirigida por João Paulo Lorenzon.

Foto de Ivan Correa Filho 

 

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Sobre o medo…

Já tive medo de mudar de casa, de cidade, mas depois de mais de 20 mudanças acho graça.
Já tive medo de ter filho, medo se seria capaz de tê-los, de criá-los, mas depois de três filhas, sendo duas gêmeas e algumas gravidezes que não foram em frente, suporto qualquer dor física, enfrento o que vier pela frente.

Já tive medo de morrer, de deixar minhas filhas sem mãe, de ter uma doença incurável, de ir embora de repente, mas ninguém é eterno e criamos os filhos para o mundo.

Já tive medo de envelhecer sozinha e esse medo me fez fazer péssimas escolhas. Já vi casais se maltratando como já o fui. Já vi e sofri muita solidão a dois.

O medo que paralisa é o mesmo que nos empurra para frente. Quando resolvemos encará-lo, enfrentá-lo, ele parece fazer dissipar os receios.

Agora medo mesmo é o de lidar com o ser humano mentiroso, desonesto, corrupto, sem escrúpulos, traidor, desleal e toda a sorte de problemas de caráter muitas vezes camuflados em peles de cordeiro. Este medo é deveras impossível de se dissipar.

  

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Tic tac tic tac – o relógio da vida

A vida é feita de pedaços de tempo;
Hiatos de vazio, do nada sentir;

Espasmos de amor, alegrias que evaporam em segundos;

Realidade efêmera;

Espírito cambaleante que busca equilíbrio em um ser à semelhança de um jovem que um dia existiu, dentro de uma carcaça que murcha em velocidade maior que a mudança das estaçōes do tempo. 

A beleza vista nas pequenas coisas em microsegundos mágicos e a lucidez para guardar as sensaçōes bem fundo na memória;

Atrasar o relógio, resgatar lembranças adormecidas, reviver sensaçōes, pessoas do passado, até que ponto mudam o tic tac tic tac?

   
    
   

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Recomeços

No início de qualquer grande mudança na vida, pessoal ou profissional, além de todas as dúvidas, medos e hesitações paralisantes por vezes, há a enorme necessidade de energia interna em direção a um novo horizonte. Exige-se uma força interna brutal, uma capacidade de moldar-se a uma nova realidade, novas cores, novos olhares, um novo mundo, novas portas que se abrem, velhas portas que se fecham. Mudar hábitos é como arrancar uma raiz profunda de uma árvore há muito plantada. Ela pode ser removida com cuidado para ser transplantada, mas no início pode sentir a mudança, alguns galhos podem cair, outros podem amarelar. A nova morada ou a nova realidade, entretanto, pode com o tempo mostrar-se fértil, pode permitir brotar novos frutos, galhos mais verdes, uma nova vida onde não mais os olhos viciados nos hábitos de outrora enxergavam luz ou novas chances, pois enquanto viver mudar é vital. Recomeços doem enquanto são começos, mas ao caminhar vê-se o quão necessário foi o primeiro passo. 

 

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