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Lembranças*

A primeira vez que o rostinho de vocês colou ao meu depois de tantos meses de espera…, lágrimas de emoção e de alegria…

A primeira vez que a irmã mais velha de vocês as viu, lágrimas de emoção e de alegria caíram do rosto dela, e ela as amou e vai amar para sempre…

E como cresceram. Correndo para o colo. Nossa brincadeira de “cuco” todo mundo, como um beijo e um abraço, tudo junto.

As viagens, os banhos de mar, o vento, o sol queimando a cara, os castelos de areia, desmanchados pela maré cheia…

O canto das cigarras nas manhãs de sol. As chuvas fortes de verão. Os trovões que assustam. “Mamãe: posso dormir no seu quarto? Hoje é férias? Você vai demorar?”.

Hora de dormir. Ler, contar histórias. Não briga com a sua irmã. Vocês serão amigas para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais aqui…

Estarei sempre no coração de vocês. E vocês…em cada pedaço de mim…

*texto da cena “lembranças” da peça “Você nunca me vê de onde eu vejo você”, dirigida por João Paulo Lorenzon.

Foto de Ivan Correa Filho 

 

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Sobre o medo…

Já tive medo de mudar de casa, de cidade, mas depois de mais de 20 mudanças acho graça.
Já tive medo de ter filho, medo se seria capaz de tê-los, de criá-los, mas depois de três filhas, sendo duas gêmeas e algumas gravidezes que não foram em frente, suporto qualquer dor física, enfrento o que vier pela frente.

Já tive medo de morrer, de deixar minhas filhas sem mãe, de ter uma doença incurável, de ir embora de repente, mas ninguém é eterno e criamos os filhos para o mundo.

Já tive medo de envelhecer sozinha e esse medo me fez fazer péssimas escolhas. Já vi casais se maltratando como já o fui. Já vi e sofri muita solidão a dois.

O medo que paralisa é o mesmo que nos empurra para frente. Quando resolvemos encará-lo, enfrentá-lo, ele parece fazer dissipar os receios.

Agora medo mesmo é o de lidar com o ser humano mentiroso, desonesto, corrupto, sem escrúpulos, traidor, desleal e toda a sorte de problemas de caráter muitas vezes camuflados em peles de cordeiro. Este medo é deveras impossível de se dissipar.

  

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Tic tac tic tac – o relógio da vida

A vida é feita de pedaços de tempo;
Hiatos de vazio, do nada sentir;

Espasmos de amor, alegrias que evaporam em segundos;

Realidade efêmera;

Espírito cambaleante que busca equilíbrio em um ser à semelhança de um jovem que um dia existiu, dentro de uma carcaça que murcha em velocidade maior que a mudança das estaçōes do tempo. 

A beleza vista nas pequenas coisas em microsegundos mágicos e a lucidez para guardar as sensaçōes bem fundo na memória;

Atrasar o relógio, resgatar lembranças adormecidas, reviver sensaçōes, pessoas do passado, até que ponto mudam o tic tac tic tac?

   
    
   

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Recomeços

No início de qualquer grande mudança na vida, pessoal ou profissional, além de todas as dúvidas, medos e hesitações paralisantes por vezes, há a enorme necessidade de energia interna em direção a um novo horizonte. Exige-se uma força interna brutal, uma capacidade de moldar-se a uma nova realidade, novas cores, novos olhares, um novo mundo, novas portas que se abrem, velhas portas que se fecham. Mudar hábitos é como arrancar uma raiz profunda de uma árvore há muito plantada. Ela pode ser removida com cuidado para ser transplantada, mas no início pode sentir a mudança, alguns galhos podem cair, outros podem amarelar. A nova morada ou a nova realidade, entretanto, pode com o tempo mostrar-se fértil, pode permitir brotar novos frutos, galhos mais verdes, uma nova vida onde não mais os olhos viciados nos hábitos de outrora enxergavam luz ou novas chances, pois enquanto viver mudar é vital. Recomeços doem enquanto são começos, mas ao caminhar vê-se o quão necessário foi o primeiro passo. 

 

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A misoginia trocada em miúdos. Por que pais e mães devem se preocupar com esta palavra esquisita!

Não me atrevo aqui a definir ou a discorrer cientifcamente, historicamente ou psicologicamente sobre as origens da palavra misoginia. Entretanto, é fato constatar o enorme desconhecimento a respeito do assunto apesar de suas origens serem tão antigas quanto a origem do homem. 

Miso vem de odiar e gino de mulher. O misógino é o homem que odeia a mulher. Pode ser aquele homem que começa o relacionamento a tratando com flores e declarações de amor, mas que depois de um tempo começa a minar a auto-estima da mulher, a diminuí-la, maltratá-la, tanto na intimidade quanto na frente dos outros, verbalmente ou fisicamente. As mulheres com pouca autoconfiança se entregam aos poucos, acreditam que são aquilo que o misógino as acusa de ser, deixam de ser quem são, às vezes engordam, perdem a vaidade, deprimem, adoecem.

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Nenhuma mãe ou pai gostaria que sua filha tivesse que lidar com um misógino em sua vida, mas todas estão sujeitas, infelizmente, pois no início tudo são flores e as pessoas só se mostram aos poucos. Por isso é muito importante que as mães e pais tenham ciência deste tipo de personalidade e ensinem às suas filhas a força da autoconfiança, do amor próprio, da auto-estima, para que reconheçam rapidamente tais comportamentos e possam as ajudar a se desvencilhar de escolhas erradas.

Isto vale também para os pais de meninos. Ensine-os o valor de uma mulher, a importância de tratar bem o outro, a beleza da generosidade, a força do caráter, aliás nada mais belo e charmoso em um homem que a coragem do caráter e a honestidade aliados a uma boa dose de generosidade. O mundo já está cheio de misóginos e egoístas.

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Lei de Direitos Autorais e o novo presidente do Brasil – dúvidas e consequências?!

Desde o início da campanha à presidente do Brasil fiquei bastante curiosa para saber como os candidatos haviam incluído em seus respectivos programas de governo a delicada questão da Lei de Direitos Autorais, cuja atual gestão do Governo encabeçou um projeto de reforma, que traz em seu cerne mudanças, que se efetivadas, trariam consequências extremamente danosas a todo um setor criativo da economia, que tem íntima ligação ao projeto maior da educação brasileira.

Há diversos enganos conceituais nos defensores de tal reforma. Nomeá-los aqui exigiria muito mais que um espaço curto de um blog. Alguns deles podem ser lidos em minha dissertação de mestrado, recentemente defendida na  Educação: Currículo da PUC/SP, intitulada “Recursos Educacionais Abertos e Direitos Autorais: conflitos e perspectivas”. Como parte da pesquisa foi feita com uma bolsa parcial concedida pela Capes e por um compromisso da PUC em geral, o texto está ou estará em breve (defendi-a em final de setembro) disponível na Scielo e na  biblioteca da PUC sob uma licença creative commons.

Alterar uma Lei exige muito mais que uma reforma na lei doméstica, pelo menos no caso da Lei de Direitos Autorais. O Brasil é signatário de diversos acordos internacionais. Para os Direitos Autorais eles estão sob o guarda-chuva da OMPI (Organização Mundial de Proteção Intelectual). Temos a Convenção de Berna, os acordos TRIPS, que cuidam dos acordos comerciais e que têm por princípio respeitar a propriedade intelectual.

O atual Governo têm exercido, por meio dos assentos na OMPI, uma grande pressão por um novo acordo que flexibilize os Direitos Autorais relativos à educação e às bibliotecas e arquivos. Por enquanto, nada avançou neste aspecto, pois diversos países são contra.

Como podemos ver diversas ações coordenadas são necessárias dentro do governo. No nosso caso o Ministério da Educação, Ministério da Cultura e o Itamaraty têm um grande papel ao tratar dos temas da indústria criativa.

Hoje saiu uma matéria a respeito na Folha de SP, mas é bastante superficial. Fala somente em linhas gerais e as dúvidas permanecem. Caso o atual governo mantenha-se no poder sabemos o que pensam seus signatários, mas quanto ao candidato Aécio Neves, seria muito importante colocar tais questões no centro do debate.

http://folha.com/no1534965

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A internet das coisas e a “coisificação do ser humano”

Vivemos a época em que os gadgets, como os smartphones, atuam como extensões dos nossos corpos. Quando estamos sem eles, se a bateria acaba, por exemplo, o sentimento é de vazio, de algo que falta em nosso próprio corpo, algo indispensável. Como achar um telefone? Um compromisso na agenda? O caminho para um destino? A conexão com os outros por meio das redes sociais? Isto para ficar nos usos básicos destas máquinas corporais.

Se já sentimos esta abstinência quando ainda são externos aos nossos corpos, é possível imaginar que com a internet das coisas o que mais desejamos sem, entretanto, pensar nas consequências, acontecerá. Uma enorme fusão entre homem e objetos, tudo interligado por uma enorme rede cibernética tomará forma. Desde o carro, os prédios, a mesa do escritório, os móveis e eletrodomésticos da nossa casa, nossos filhos, animais de estimação, bolsas, chaves, tudo que se possa imaginar. Basta que nano-chips com alguns algoritmos rodem e estejam inseridos em cada um dos elementos a serem coisificados. Não é difícil imaginar que nós mesmos, os seres humanos, sejamos coisificados.

Como o Dr. John Barrett exemplifica no TED abaixo, não mais buscaremos no Google por palavras-chave, mas pelas coisas que queremos encontrar: “onde está a chave do meu carro?”, “onde está meu filho?”, “Onde estacionei o carro neste shopping?” e assim por diante.

Para os espiões é um prato cheio. Que rastrear smartphone que nada. Procure pela própria pessoa que já foi coisificada.

O Dr. John Barrett mostra também como este próximo passo facilitará ainda mais a vida dos ciber-terroristas.  Derrubar a rede, inserir vírus, irão causar danos ainda mais devastadores.

Lógico que há pontos positivos. Você saberá bem antes que os sintomas apareçam, quando terá um infarto, por exemplo. Receberá um “whattsup” do seu plano de saúde indicando o hospital mais próximo para se dirigir. Seu médico será avisado automaticamente.

Por outro lado, é muito preocupante. Levar a vida sem estar conectado o tempo todo, o que é muito saudável para a mente e o corpo, será cada vez mais um luxo.

Enquanto houver público que pague uma pequena fortuna para ouvir blogueiras “antenadas” dizerem à platéia que não levem mais seus filhos aos parques para subirem em árvores, pois este tipo de experiência é bem melhor no Ipad, seguidos de efusivos aplausos, a coisificação é mais do que merecida, pois se muitos já agem de acordo com as massas, como se robôs fossem, melhor então tornar o sonho delas realidade.

 

 

Veja também um artigo a respeito:

 

http://porvir.org/wiki/internet-das-coisas

 

 

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