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Hanna Arendt e a “Crise na Educação” – reflexões muito atuais

Hanna Arendt foi uma filósofa em sua essência. Seus pensamentos percorreram áreas as mais diversas dentro do espectro complexo do ser humano em si e em suas relações com o mundo.

Em seu livro “Between past em future” apresenta um artigo sobre a crise na educação. A primeira edição do livro é de 1961. Incrível que não poderia ser mais atual. Nele ela discorre sobre como a educação das crianças no âmbito familiar refletem a realidade política do meio.

Sobre a crise de autoridade ela diz: “a autoridade foi descartada pelos adultos e isto só pode significar uma coisa: que os adultos se recusam a assumir responsabilidade pelo mundo para o qual trouxeram suas crianças.”

Mais adiante ela afirma que esta atitude dos adultos perante as crianças é como se a cada dia lavassem as mãos e dissessem aos pequenos: tente fazer o seu melhor, pois neste mundo nem mesmo nós sabemos o que fazer direito para lhes proporcionar um mundo mais seguro, mas somos inocentes em última instância.

Com mãe não posso ignorar estes pensamentos e refletir sobre o nosso papel de pais e como se responsabilizar sem ao mesmo tempo atuar como escudo à realidade do mundo. Proteger as crianças, mas deixá-las sofrer as consequências de escolhas responsáveis. O diálogo, o ouvir, o sentir, o carinho e a segurança que o afeto proporciona são a certeza de um ambiente de aprendizado mútuo. O exemplo dos pais e de todos com os quais as crianças convivem são atitudes cruciais que não garantem o futuro, mas fornecem referenciais para uma vida toda.

Uma criança não é um mini-adulto como bem compara Arendt. É um ser que chega a um mundo já pronto em que ele tem que descobrir como viver e sobreviver nele. O papel dos adultos é fundamental. Não pode ser relegado a terceiros.

Por outro lado, a atual sociedade do consumo que pressiona a mulher à maternidade e, ao mesmo tempo, à realização profissional e pessoal, pode ser muito angustiante para grande parte das mulheres que viveram sob a égide de uma família excessivamente protetora e que, em vez de ensinar, prefere evitar as agruras do enfrentamento das escolhas, do sofrimento consequente e da busca dos sonhos próprios e não os sonhos dos pais advindos das frustrações de uma vida de escolhas determinadas pela necessidade da realidade de outrora.

Recomendo a leitura das obras desta incrível filósofa e também o recente filme sobre ela. Para ver o filme vale ler antes o livro “Eichmann em Jerusalém”. Veja o trailer:

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