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Poder não pode, mas alguns negócios digitais se importam?

Ao ler a matéria do último domingo no Estadão “Fazendo pouco das normas”:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,fazendo-pouco-das-normas-imp-,1680271

lembrei-me da recente estada em Londres quando por insistência de uns locais instalei o aplicativo Uber e chamei o motorista pela primeira vez. Cheguei ao destino, mas não sem antes observar o desleixo e a sujeira no carro. Já a conta deu problema com o registro do cartão, o que atrapalhou a vez seguinte em que precisei. Foi quando chamei o serviço novamente, mas no mesmo minuto desisti, pois avistei um Taxi londrino. Pelas regras do Uber a corrida foi cobrada mesmo assim. Depois disto não chamei mais e não pretendo mais utilizar este serviço. Os taxistas londrinos inclusive alertam que eles não têm licença e não são seguros. Qualidade à parte é certo que há várias questões legais sendo questionadas nos diversos países em que atuam, inclusive no Brasil. Por aqui tivemos até protestos e manifestações.

A matéria menciona outras iniciativas digitais que atuam sem levar em conta as regras do “mundo real”. Há argumentos de ambos os lados, mas é certo que a concorrência pode ficar desleal se alguns seguem as regras e outros não.

Os exemplos não param por aí. Na área de compartilhamento de conteúdo há alguns anos surgiu, por exemplo, a plataforma “Scribd”, que na época do lançamento aceitava que o usuário fizesse upload de qualquer arquivo. Assim, muitos PDF’s piratas faziam parte do rol de opções. Assim, eles conseguiram “massa” de usuários, o grande apelo de “big data” para atrair os investidores. Ouvi em uma palestra com um dos fundadores que estavam procurando corrigir o problema. Procurei-o ao final para contar que um arquivo da plataforma deles estava sendo “vendido” como um curso em outra plataforma brasileira, sendo que o autor do referido texto em inglês estava alheio a tudo isso e obviamente sem receber direitos autorais.

Infelizmente, a grande maioria das pessoas, potenciais clientes de tais iniciativas, não têm a menor ideia das normas que existem e como podem diferenciar o joio do trigo. Com o tempo, o mercado se encarrega de regular e ajustar os desvios. Entretanto, muitas vezes o estrago é grande, tanto para os novos empreendedores quanto os estabelecidos e que seguem as regras. O que dirá dos usuários que entregam seus dados pessoais a um sem número de serviços “gratuitos” sem se dar conta de que esta base de dados é moeda de troca e vira ativo nas mãos de quem os detém, mas isto renderia assunto para um novo post.

Fica aqui um pequeno podcast sobre os desafios dos direitos autorais na nova era digital:

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Changes are the fuel of life – Storms ahead – thoughts for 2015

Storms ahead

We can’t predict nor control
Like life itself
We can only enjoy the moments of peace and calm with our loved ones
Be prepared while straighten bonds, loving and being with who we care the most
Because there isn’t a way to prepare for difficult times or to size its consequences
It can be just a little shower
It can be heavy but with no damage
Instead it can be hard enough to hit you or someone that you love
Like the waves from the sea you may only get up take the hand of your loved ones
And be prepared for the next wave or storm
Cause there is only one certainty: they will come

stormsahead by Nathy Mendes
DM
Photo by Nathy MP Mendes – Christmas at Ilhabela 2014

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O autor no Dia do Escritor

Neste Dia do Escritor pensamos em autoria, em autor, mas o que define um autor?

Ele define-se pelo processo criativo? Pelo quanto trabalha?

As leis, os tratados internacionais, protegem o autor, definem exatamente o que vem a ser autoria?

Como adequar o conceito de autoria a nova realidade de hiperlinks midiaticos? E efeitos de copia e cola?

Na realidade reconhe-se o autor por sua personalidade. Ele coloca sua marca no texto por mais poder que a influencia de leituras passadas exerça sobre ele.

Cada autor, a despeito de utilizar as mesmas fontes, tem um processo criativo unico, uma personalidade unica, uma historia de vida unica e isto tem que ser preservado.

Ser um autor, um escritor, pode ser traduzido como um trabalho como outro qualquer, onde o intelecto se coloca a servico da criaçao de um bem que ira divertir, ensinar, fazer as pessoas imaginarem, criarem a partir dele.

Hemingway

Acima de tudo o autor  se deixa morrer para nascer o leitor, que vai ser ele mesmo um autor que ira transformar ou se deixar transformar pelo texto que consome. Uma morte figurativa, onde ele vai deixar o leitor nascer, fazer as conexoes, imaginar, sonhar a partir daquele texto.

O processo de autoria exige muito trabalho, muito suor, uma navegaçao pela historia, pelo passado, uma bagagem de vida, que sera publicado em algum meio, seja papel, seja digital, seja em uma rede liquida, em um mundo cada vez mais liquido.

Feliz Dia do Escritor!

 

 

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Quem tem medo do Lobo Mau!

Quem tem crianças na faixa dos 3 anos de idade talvez reconheça neste texto algo familiar.
Ninguém ensina aos pais como lidar com os monstros, aqueles que até são bonitinhos, mas assustam do Monstros SA, o lobo mau da Chapeuzinho vermelho, a raposa escondida da Dora, a bruxa dos contos de fadas, madrastas más e outros. São personagens que crianças desta idade entendem e incluem em seu universo.
O problema é que de noite quando elas têm que dormir no quarto de porta fechada e uma semi-luz ou luz apagada criam o cenário perfeito para que revivam as histórias, principalmente na pele das vítimas, ainda mais quando acordam no meio da noite em meio a um silêncio assustador. O caminho é o quarto dos pais. Porto seguro. Nenhum monstro entrará lá e assim dormem aquele sono tranquilo.
E os pais? Tem que respirar fundo pensando que é só uma fase que vai passar.
Longas conversas, argumentos sedutores e a tal da chantagem de nada adiantam. Broncas e ameaças são armas proibidas mas que no auge da exaustão não há como lançar mão. De nada adiantam. Só resta esperar a fase passar! Mas quanto tempo dura mesmo???

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O lápis de ponta e a máquina de escrever e como mudam as formas criativas

Na coluna do Ruy Castro há dois dias na Folha de SP:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/111590-o-lapis-de-ponta-perfeita.shtml

ele falou como ainda hoje se pode viver de apontar os lápis grafite. Várias profissões ainda o utilizam e consideram importante tê-los apontados. Contou a história de um profissional apontador americano. Deu como exemplo de quem os utiliza por aqui o Helio de Almeida, diretor de arte. Sorri ao ler, pois várias vezes estive com o Helio e vi aquelas mãos criativas desenhando linhas no papel com lápis muito bem apontados, dos mais variados calibres.

Em tempos de gadgets que prometem substituir a prancheta como não lembrar também dos textos que digitamos nestes aparelhos, PC, laptop, tablet, smartphone etc. Não faz muito tempo, mas foi no século passado, as máquinas de escrever tinham a utilidade de colocar tinta no papel, a partir das teclas, que não são muito diferentes dos atuais keyboards. No meu primeiro emprego antes da faculdade ainda tiver que passar por um teste de datilografia, já naquelas modernas máquinas onde era possível corrigir os erros e até mudar de cor. Talvez por isso ainda digite rápido e com mais de um dedo.

Para quem gosta de ver estas contradições em ação, passado, presente e futuro das letras recomendo o filme “The words” ou “As palavras” com Bradley Cooper, que passou no cinema ano passado. Veja o trailer:

Como ter certeza que um manuscrito antigo, datilografado, ainda não havia sido publicado em formato de livro? Ainda não havia e-mail, pen drive, computador pessoal, mas com certeza mimiógrafo e imprensa. Talvez o personagem tivesse dado um Google em trechos do livro e não tivesse encontrado nada. Aliás, como será que o que  fazemos hoje com o Google será visto pelas gerações futuras?

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As empregadas domésticas, entre a profissionalização e a informalidade

Coincidentente, nos últimos dias alguns artigos sobre o assunto chamaram a atenção. Insiro os links a seguir para que possam ler.

O que nenhum deles aborda é o quão ainda é informal este mercado. Neste momento estou procurando uma pessoa para substituir uma funcionária que ficou na minha casa por 8 anos. Quando chegou nunca havia trabalhado (emigrou da roça do Paraná, abandonada pelo marido alcóolatra, com seus 3 filhos pequenos. Em São Paulo foi morar próxima aos irmãos que não a ajudaram). Aprendeu a fazer de tudo. Estudou, criou os filhos, realizou alguns sonhos de consumo. Só não conseguiu poupar apesar da nossa insistência e incentivo. Recentemente, por problemas pessoais, dentre eles, a mãe doente e um homem que conheceu e foi morar na casa dela ordenando-a a não trabalhar mais, acabou pedindo demissão. Tenho feito diversas entrevistas, por meio de agências ou indicações e posso dizer que me assusta o fato de 90% delas não possuir registro em carteira. o que tornam as estatísticas apresentadas no artigo de Samuel Pêssoa subestimadas. É comum também em salões de beleza conceituados em São Paulo, inclusive grandes redes, as manicures não terem registro em carteira e nem tão pouco seguro-saúde. Se adoecem ou têem filhos ficam sem remuneração. O que será que falta? Talvez maior fiscalização e também consciência destas trabalhadoras para que exijam no mínimo serem registradas.

Vamos chegar ao dia em que será inviável ter funcionárias domésticas, mas o que acontece hoje é que muitas se aproveitam do fato de que há toda uma geração de mulheres que nunca foram para a cozinha, nem lavaram banheiro ou lavaram e passaram suas próprias roupas, o que dirá administrar uma casa, fazer compras ou cuidar dos filhos. Pensar que é possível “terceirizar” estas funções é querer ser enganada. Só pode ensinar quem saber fazer. Só pode pedir ou orientar quem já faz ou se incumbiu das mesmas funções. Quando o assunto são filhos é mais delicado ainda, pois o risco de deixar os filhos a cargo de estranhos a maior parte do tempo é deixar de viver a maternidade/paternidade com todas suas alegrias e agruras, mesmo que ao final do dia somadas às horas de trabalho estejamos exaustos.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/90364-nossos-filhos-sem-domesticas.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/90778-o-emprego-domestico-no-brasil.shtml

http://www.forbes.com/sites/kenrapoza/2013/01/22/brazils-poor-middle-class-and-the-poor-that-no-longer-serve-them/

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A guerra do sushi e o sentimento de indignação

Os mais sábios aconselham a preocupar-nos apenas com o que podemos mudar. De que adianta criticar o mundo, a política, as guerras e outras mazelas se na maioria das vezes não podemos fazer nada a respeito? Difícil seguir este conselho.
Ao ler hoje o artigo do caderno Ilustríssima da Folha de SP, que fornece um excelente retrato do mal que pessoas colocadas em cargos-chave do governo podem fazer na calada da noite, um sentimento de indignação surge instantaneamente. Desde 2010 voltou a vigorar o arrendamento dos mares brasileiros à pesca predatória de atum e sabe-se lá quais outros pescados, que equipados com enormes embarcações pescam aqueles atuns enormes e desestabilizam todo o ecossistema. O que é pescado vai direto para o Japão e 10% da renda para o bolso do empresário brasileiro que tem contrato com os japoneses. Onde está o Greenpeace nestas horas para alertar o mundo desta atrocidade?
Enquanto eles não aparecem e, enquanto o governo não revoga tais contratos, que paradoxalmente é um artifício mais utilizado por países pobres africanos que precisam de dinheiro e não o tão aclamado e bem-sucedido Brasil, pelo menos esta é a imagem que tentam passar para os cidadãos e lá fora, sendo um país onde supostamente a economia esteja a pleno vapor, vou suprimir o consumo de atum pela minha família, tanto em casa, quanto nos restaurantes japoneses e contar a tal história para o maior número possível de pessoas!

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