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O papel de mãe quando os filhos sofrem…

Que bom seria poder sentir a dor no lugar do filho, tocar o ferimento e ele sarar na hora, ter uma varinha mágica para fazê-lo parar de chorar quando está triste. Ter a capacidade de absorver a carga do mundo e deixá-lo sorrindo e aproveitando o que a vida traz de melhor.

Mas criamos os filhos para o mundo e como tal cabem aos pais deixá-los vivenciar cada experiência, boa ou ruim, da forma como ela se apresenta. Podemos sim, segurar as mãos, apoiar, dar colo, carinho, amor, proteção, sempre com muita conversa, muito olho no olho e muita dedicação.

Recentemente, uma das minhas filhas foi diagnosticada com uma doença grave. É muito duro para uma mãe ver sua filha de 7 anos tendo que enfrentar como gente grande algo que está lhe causando dor física e, consequentemente, dor emocional.

Por outro lado, é nessas horas que o vínculo se mostra ainda mais forte, que a sua fé naquela pessoa que tem um potencial enorme e uma vida pela frente, a faz enfrentar tudo de forma firme e resignada. Acorda a cada dia e faz o que tem que ser feito, o que o médico mandou sem questionar.

A irmã gêmea está até enciumada da atenção que as amigas da escola estão dando: “só porque ela está doente ninguém mais quer saber de mim!”.

Ser mãe é vivenciar o que há de mais belo e puro no ser humano. Como as crianças são sensíveis e inteligentes e nunca podem ser subestimadas. Entendem em muitos aspectos o mundo dos adultos. Lêem as situações, mesmo que fiquem caladas e que pareçam não prestar atenção. Um belo dia terão elaborado um pensamento com base em observações passadas e saberão tomar suas próprias decisões nas mais diversas situações.

Ser mãe é igualmente ver os filhos novos sofrerem, mas os mais velhos também. Quando crescem sofrem as dores de amor, as dores da rejeição e tantas outras dores que precisam aprender a lidar. Este aprendizado nunca termina. Até que a mãe tem momentos nos quais precisa ser filha e recorre também, quando tem, à sua própria mãe. Mamãe?

mae2

 

 

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Países desenvolvidos vs em desenvolvimento e o respeito às leis e regras de convívio

Parada esperando o farol para pedestres sinalizar o verde em Berlim em uma esquina qualquer, sem que nenhum carro pudesse ser avistado em qualquer direção, mas onde nenhum cidadão sequer ensaia sair andando ainda sem o “Apelman”, que é o “homenzinho” que aparece com a luz vermelha ou verde no farol, símbolo da cidade, sinalizar o verde, sobra tempo para refletir quando isto será realidade no Brasil, terra conhecida lá fora pela Amazônia exótica, o futebol, o Rio de Janeiro, o samba, as praias ( é só o que a TV de lá mostra durante este período de copa), me parece ainda bem distante de ser realidade .

Hoje há uma excelente matéria a respeito no Estadão, mostrando que as pessoas reclamam os seus direitos, mas continuam a dirigir após beber, e, coincidência ou não, 72% admitem na pesquisa atravessarem fora da faixa de pedestre, em recente pesquisa da FGV.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,brasileiro-vai-as-ruas-por-direitos-mas-desrespeito-as-leis-aumenta-imp-,1524325

Lá na terra de Hanna Arendt, cujos textos são de uma clareza e inteligência incomuns, passar pela sua esquina é um registro histórico e mostra o orgulho e o reconhecimento que seu povo tem com os intelectuais responsáveis pelas profundas reflexões acerca do ser humano em todas as suas dimensões.

Hannah Arendt Strasse

Já em outra cidade européia, Genebra, há várias faixas de pedestre sem sinal para pedestres, mas você pode avançar sem medo, pois eles param de verdade. Para mim, acostumada ao hábito paulistano, a despeito da lei em vigor (em Brasília já é hábito os carros pararem diante de um pedestre atravessando), espero os carros pararem para atravessar e ainda agradeço com um gesto sutil com a cabeça ou as mãos, o que causa estranheza por lá. Na verdade, ficam bravos por eu ainda ter esperado pararem e fazem um leve gesto com a cabeça como querendo dizer “Você está fazendo eu perder tempo e já deveria estar cruzando a faixa, pois eu iria parar de qualquer forma. Não tenha dúvidas disto”. O que me faz parecer um ser exótico vindo de uma país exótico.  Será que sou?

Este pequeno aspecto da diferença entre a civilização madura e desenvolvida e a civilização em desenvolvimento pode ser transposta a várias outras áreas e mostra o quão ainda temos que avançar em direção ao senso da vida em comum em sociedade e que o respeito ao cidadão faz parte de uma série de regras que afinal não são tão difíceis, mas que poderiam acabar com o estigma do povo brasileiro que tenta dar um jeitinho para tudo.

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A internet das coisas e a “coisificação do ser humano”

Vivemos a época em que os gadgets, como os smartphones, atuam como extensões dos nossos corpos. Quando estamos sem eles, se a bateria acaba, por exemplo, o sentimento é de vazio, de algo que falta em nosso próprio corpo, algo indispensável. Como achar um telefone? Um compromisso na agenda? O caminho para um destino? A conexão com os outros por meio das redes sociais? Isto para ficar nos usos básicos destas máquinas corporais.

Se já sentimos esta abstinência quando ainda são externos aos nossos corpos, é possível imaginar que com a internet das coisas o que mais desejamos sem, entretanto, pensar nas consequências, acontecerá. Uma enorme fusão entre homem e objetos, tudo interligado por uma enorme rede cibernética tomará forma. Desde o carro, os prédios, a mesa do escritório, os móveis e eletrodomésticos da nossa casa, nossos filhos, animais de estimação, bolsas, chaves, tudo que se possa imaginar. Basta que nano-chips com alguns algoritmos rodem e estejam inseridos em cada um dos elementos a serem coisificados. Não é difícil imaginar que nós mesmos, os seres humanos, sejamos coisificados.

Como o Dr. John Barrett exemplifica no TED abaixo, não mais buscaremos no Google por palavras-chave, mas pelas coisas que queremos encontrar: “onde está a chave do meu carro?”, “onde está meu filho?”, “Onde estacionei o carro neste shopping?” e assim por diante.

Para os espiões é um prato cheio. Que rastrear smartphone que nada. Procure pela própria pessoa que já foi coisificada.

O Dr. John Barrett mostra também como este próximo passo facilitará ainda mais a vida dos ciber-terroristas.  Derrubar a rede, inserir vírus, irão causar danos ainda mais devastadores.

Lógico que há pontos positivos. Você saberá bem antes que os sintomas apareçam, quando terá um infarto, por exemplo. Receberá um “whattsup” do seu plano de saúde indicando o hospital mais próximo para se dirigir. Seu médico será avisado automaticamente.

Por outro lado, é muito preocupante. Levar a vida sem estar conectado o tempo todo, o que é muito saudável para a mente e o corpo, será cada vez mais um luxo.

Enquanto houver público que pague uma pequena fortuna para ouvir blogueiras “antenadas” dizerem à platéia que não levem mais seus filhos aos parques para subirem em árvores, pois este tipo de experiência é bem melhor no Ipad, seguidos de efusivos aplausos, a coisificação é mais do que merecida, pois se muitos já agem de acordo com as massas, como se robôs fossem, melhor então tornar o sonho delas realidade.

 

 

Veja também um artigo a respeito:

 

http://porvir.org/wiki/internet-das-coisas

 

 

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Idade é só um número e uma moldura! – Bruce Springsteen é um exemplo

Foi bem no auge do show do Bruce que refleti sobre 2 constatações.

A primeira é a admirável carreira do cantor que foi o ídolo dos jovens na década de 80, eu inclusive. O show dele é simplesmente incrível. Como ele faz jus ao apelido cunhado para ele na década de 70 “The Boss”. Ele move levemente as mãos e a banda dele entende do que se trata. Ele faz o mesmo com a platéia e todos fazem o que ele indica. Só que todos o fazem como um só coro. Ele consegue o feito de unir todos. E que talento ele tem com as pessoas. Deu atenção individual a todos que pôde. Não descansou um só segundo durante as 3h e meia de show. Um sorriso no rosto que é o mesmo de 40 anos atrás. Os anos se passaram e ele conseguiu se reinventar, criar novas músicas, novos estilos. Para ele a idade é mero atributo. As rugas e a calvície, charmes do tempo.

A segunda constatação foi saber que não é a idade que determina o que fazemos, mas o nosso estado interior, a nossa disposição a novas experiências. Quando vi a notícia que o Boss viria ao Brasil comprei rapidamente os ingressos. Falamos com amigos para juntar uma turma, mas no início desta semana, já desanimada com o cansaço, os compromissos de trabalho e todo o cotidiano com tudo que tem para ocupar todos os segundos disponíveis e os não disponíveis também, nos fez quase desistir do show. Estar lá, entretanto, foi uma das melhores coisas que fizemos nos últimos tempos. Primeiro por ter o privilégio de assistir ao show que foi maravilhoso e depois por sentir que não é preciso ter uma idade específica para “curtir” um programa de jovens, pois jovens podemos ser eternamente, independente da moldura!

Para quem não foi segue o link da primeira música que ele tocou de surpresa “Sociedade Alternativa” de Raul Seixas, depois de ter falado em português com a platéia. Foi o máximo! Agradeço ao Alexandre por ter dividido e curtido este momento incrível ao meu lado e os amigos Luis Ricardo e Iara. Luis Ricardo, aliás, sabia tudo do Bruce.

http://youtu.be/zKEJkixmLHQ

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O paradoxo das redes socias

Há uns dois anos li uma notícia de que 2014 seria o ano em que o Facebook perderia milhões de usuários. Quando lançaram ações na bolsa novamente o assunto foi comentado.
Vivemos uma época em que as diversas tribos e comunidades ativas na internet surfam conforme as ondas as levam. Migram de uma hora para outra em um comportamento errático e volúvel. Acontece que as tais redes sociais dependem dos usuários para serem viáveis economicamente junto aos anunciantes, sua maior fonte de receita e lucro.
A migração já começou pela tribo dos adolescentes, principalmente. Em artigo da última segunda-feira da Folha de SP “Tenho 13 anos e nenhum dos meus amigos usa Facebook”‘ um adolescente novaiorquino relata que ele e os amigos preferem o Instagram e que o Facebook é utilizado por seus pais e avôs. Minha filha de 17 anos confirmou que o Instagram já é o preferido entre ela e os amigos, ou seja, é um comportamento dos adolescentes em geral. Estes mesmos adolescentes estarão em poucos anos ativos profissionalmente.
Uma das justificativas do garoto é a invasão dos anunciantes nos feeds, o que coincide com a crítica da coluna da mesma Folha de SP de Marion Strecker “Cheia”. Sufocada pela invasão nas redes e as provocadas pelos robôs que perseguem até mesmo as pesquisas na internet, inundando em seguida seu e-mail e páginas com banners e promoções.
Em todas as áreas as mudanças têm ocorrido na velocidade da luz e os efeitos podem ser devastadores para empresas tidas como inovadoras e promissoras, mas esta é a regra do jogo atual e a adaptação é o principal verbo que as pessoas e as empresas devem praticar para sobreviver aos próximos tsunamis da realidade virtual.

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Quem tem medo do Lobo Mau!

Quem tem crianças na faixa dos 3 anos de idade talvez reconheça neste texto algo familiar.
Ninguém ensina aos pais como lidar com os monstros, aqueles que até são bonitinhos, mas assustam do Monstros SA, o lobo mau da Chapeuzinho vermelho, a raposa escondida da Dora, a bruxa dos contos de fadas, madrastas más e outros. São personagens que crianças desta idade entendem e incluem em seu universo.
O problema é que de noite quando elas têm que dormir no quarto de porta fechada e uma semi-luz ou luz apagada criam o cenário perfeito para que revivam as histórias, principalmente na pele das vítimas, ainda mais quando acordam no meio da noite em meio a um silêncio assustador. O caminho é o quarto dos pais. Porto seguro. Nenhum monstro entrará lá e assim dormem aquele sono tranquilo.
E os pais? Tem que respirar fundo pensando que é só uma fase que vai passar.
Longas conversas, argumentos sedutores e a tal da chantagem de nada adiantam. Broncas e ameaças são armas proibidas mas que no auge da exaustão não há como lançar mão. De nada adiantam. Só resta esperar a fase passar! Mas quanto tempo dura mesmo???

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As empregadas domésticas, entre a profissionalização e a informalidade

Coincidentente, nos últimos dias alguns artigos sobre o assunto chamaram a atenção. Insiro os links a seguir para que possam ler.

O que nenhum deles aborda é o quão ainda é informal este mercado. Neste momento estou procurando uma pessoa para substituir uma funcionária que ficou na minha casa por 8 anos. Quando chegou nunca havia trabalhado (emigrou da roça do Paraná, abandonada pelo marido alcóolatra, com seus 3 filhos pequenos. Em São Paulo foi morar próxima aos irmãos que não a ajudaram). Aprendeu a fazer de tudo. Estudou, criou os filhos, realizou alguns sonhos de consumo. Só não conseguiu poupar apesar da nossa insistência e incentivo. Recentemente, por problemas pessoais, dentre eles, a mãe doente e um homem que conheceu e foi morar na casa dela ordenando-a a não trabalhar mais, acabou pedindo demissão. Tenho feito diversas entrevistas, por meio de agências ou indicações e posso dizer que me assusta o fato de 90% delas não possuir registro em carteira. o que tornam as estatísticas apresentadas no artigo de Samuel Pêssoa subestimadas. É comum também em salões de beleza conceituados em São Paulo, inclusive grandes redes, as manicures não terem registro em carteira e nem tão pouco seguro-saúde. Se adoecem ou têem filhos ficam sem remuneração. O que será que falta? Talvez maior fiscalização e também consciência destas trabalhadoras para que exijam no mínimo serem registradas.

Vamos chegar ao dia em que será inviável ter funcionárias domésticas, mas o que acontece hoje é que muitas se aproveitam do fato de que há toda uma geração de mulheres que nunca foram para a cozinha, nem lavaram banheiro ou lavaram e passaram suas próprias roupas, o que dirá administrar uma casa, fazer compras ou cuidar dos filhos. Pensar que é possível “terceirizar” estas funções é querer ser enganada. Só pode ensinar quem saber fazer. Só pode pedir ou orientar quem já faz ou se incumbiu das mesmas funções. Quando o assunto são filhos é mais delicado ainda, pois o risco de deixar os filhos a cargo de estranhos a maior parte do tempo é deixar de viver a maternidade/paternidade com todas suas alegrias e agruras, mesmo que ao final do dia somadas às horas de trabalho estejamos exaustos.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/90364-nossos-filhos-sem-domesticas.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/90778-o-emprego-domestico-no-brasil.shtml

http://www.forbes.com/sites/kenrapoza/2013/01/22/brazils-poor-middle-class-and-the-poor-that-no-longer-serve-them/

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