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A internet das coisas e a “coisificação do ser humano”

Vivemos a época em que os gadgets, como os smartphones, atuam como extensões dos nossos corpos. Quando estamos sem eles, se a bateria acaba, por exemplo, o sentimento é de vazio, de algo que falta em nosso próprio corpo, algo indispensável. Como achar um telefone? Um compromisso na agenda? O caminho para um destino? A conexão com os outros por meio das redes sociais? Isto para ficar nos usos básicos destas máquinas corporais.

Se já sentimos esta abstinência quando ainda são externos aos nossos corpos, é possível imaginar que com a internet das coisas o que mais desejamos sem, entretanto, pensar nas consequências, acontecerá. Uma enorme fusão entre homem e objetos, tudo interligado por uma enorme rede cibernética tomará forma. Desde o carro, os prédios, a mesa do escritório, os móveis e eletrodomésticos da nossa casa, nossos filhos, animais de estimação, bolsas, chaves, tudo que se possa imaginar. Basta que nano-chips com alguns algoritmos rodem e estejam inseridos em cada um dos elementos a serem coisificados. Não é difícil imaginar que nós mesmos, os seres humanos, sejamos coisificados.

Como o Dr. John Barrett exemplifica no TED abaixo, não mais buscaremos no Google por palavras-chave, mas pelas coisas que queremos encontrar: “onde está a chave do meu carro?”, “onde está meu filho?”, “Onde estacionei o carro neste shopping?” e assim por diante.

Para os espiões é um prato cheio. Que rastrear smartphone que nada. Procure pela própria pessoa que já foi coisificada.

O Dr. John Barrett mostra também como este próximo passo facilitará ainda mais a vida dos ciber-terroristas.  Derrubar a rede, inserir vírus, irão causar danos ainda mais devastadores.

Lógico que há pontos positivos. Você saberá bem antes que os sintomas apareçam, quando terá um infarto, por exemplo. Receberá um “whattsup” do seu plano de saúde indicando o hospital mais próximo para se dirigir. Seu médico será avisado automaticamente.

Por outro lado, é muito preocupante. Levar a vida sem estar conectado o tempo todo, o que é muito saudável para a mente e o corpo, será cada vez mais um luxo.

Enquanto houver público que pague uma pequena fortuna para ouvir blogueiras “antenadas” dizerem à platéia que não levem mais seus filhos aos parques para subirem em árvores, pois este tipo de experiência é bem melhor no Ipad, seguidos de efusivos aplausos, a coisificação é mais do que merecida, pois se muitos já agem de acordo com as massas, como se robôs fossem, melhor então tornar o sonho delas realidade.

 

 

Veja também um artigo a respeito:

 

http://porvir.org/wiki/internet-das-coisas

 

 

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Religião para ateus por Alain de Botton

Ontem tive o privilégio de participar da palestra de Alain de Botton, realizada pelo Fronteiras do Pensamento na Sala São Paulo. Fui a convite de Jorge Forbes ao qual sou muito grata. Já admirava Alain desde que havia lido no ano 2000 “Consolations of philosophy”. De lá para cá e antes disto ele teve vários livros publicados e é muito lido. Ele consegue em seus textos extrair dos pensamentos dos filósofos de forma muito clara ensinamentos e mensagens inspiradoras. A palestra de ontem foi uma degustação de seu mais novo livro. O que ele transmite são ensinamentos das religiões, qualquer uma delas e todas elas, que podem ser extrapolados para o dia a dia de qualquer um. Por exemplo, como podemos nos inspirar na religião quando falamos de educação. Na maioria das religiões os ensinamentos são exaustivamente repetidos, pois parte-se do princípio que as pessoas esquecem. Ele explicou porque as redes sociais, como o Facebook, não funcionam para a realidade do dia a dia. Em tais redes nos conectamos apenas com os círculos das pessoas com quem temos afinidades, ao passo que as religiões ensinam a convivência entre os diferentes, os que não tem nada em comum e até causam certa repulsa. Outra área que é muito utilizada pelas religiões é a arte, que para as religiões não são simples objetos de admiração, mas transmitem os ensinamentos e os acontecimentos que marcaram a história de cada uma delas. Outro aspecto das religiões é que consideram corpo e mente como um único ser, diferente de como agimos no dia a dia, ora dedicando-se a atividades para a mente e ora para o corpo, às vezes abandonando um em função do outro. Na religião há os rituais que nos fazem lembrar que é tudo interligado, como o ritual de contemplação da lua no zenbudismo ou os banhos no judaísmo. No início da palestra ele mostrou como têm diminuído ao longo do tempo a frequência das pessoas às atividades promovidas pelas diversas religiões. Cada vez estamos mais ateus e mais individualistas. O remédio? Um pouco dos ensinamentos das religiões em doses diárias!

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